As autoridades camaronenses definiram as metas de produção para o ano de 2026. No que diz respeito à cadeia do óleo de palma, estes objetivos foram revistos em alta.
No seu Programa Económico e Financeiro, apresentado pelo Primeiro-Ministro, o governo do Camarões prevê um aumento da produção agrícola nas cadeias consideradas estratégicas. Para o óleo de palma, as autoridades definiram uma meta de produção adicional de 20 500 toneladas em 2026. Este crescimento deve integrar-se numa trajetória mais ampla de reforço da autossuficiência e redução das importações.
Esta ambição surge num contexto de novos financiamentos, com duas convenções de empréstimo num montante total de 51,7 mil milhões de FCFA em fase de finalização com o Standard Chartered Bank Londres. Estes recursos serão utilizados para a construção de uma fábrica de transformação de borracha e outra de óleo de palma, em benefício da Cameroon Development Corporation (CDC). Este investimento é apresentado como um instrumento para reforçar a oferta industrial nacional e valorizar melhor a produção local, desde a produção agrícola até à transformação industrial.
Um défice estrutural que alimenta as importações
Neste contexto, os dados do primeiro trimestre de 2025 mostram um renascimento da vitalidade. A produção nacional de óleo de palma bruto atingiu 77 630 toneladas, quase três vezes superior ao trimestre anterior, impulsionada pelo pico da grande campanha agrícola. Apesar desta progressão sequencial, a cadeia ainda não cobre as necessidades nacionais: em termos anuais, esta produção trimestral registou uma redução de 10,6%, e as autoridades antecipam uma queda de cerca de 2% ao longo de 2025.
Em 2024, o Camarões produziu 446 984 toneladas de óleo de palma bruto, segundo o Primeiro-Ministro Joseph Dion Ngute. Este volume continua largamente abaixo das necessidades do mercado interno: de acordo com a Asroc, o défice estrutural ultrapassa 500 000 toneladas por ano. Esta insuficiência crónica traduz-se numa forte dependência das importações. Entre 2017 e 2023, o país importou 409 000 toneladas de óleo de palma, para uma fatura total de 280,4 mil milhões de FCFA, segundo dados do INS.
As metas de produção adicional para 2026 só poderão ser alcançadas se toda a cadeia — desde a produção agrícola (plantas, rendimentos, apoio aos produtores) até à indústria (capacidades de transformação, logística, distribuição) — receber investimentos contínuos e uma coordenação reforçada. Caso contrário, o défice estrutural e a dependência das importações continuarão a pesar nas finanças públicas, na balança comercial e na competitividade da indústria local.
Amina Malloum (Investir au Cameroun)













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