Orçamento para o setor agrícola da Argélia em 2026 aumenta em 4%, alcançando US$ 5,84 bilhões
O aumento vem na esteira da Conferência Nacional sobre a Modernização da Agricultura, onde a necessidade de uma transformação agrícola baseada em tecnologia e inovação foi destacada
Em Argélia, a agricultura contribui com 13% do PIB e emprega cerca de 9% da população ativa. O governo, querendo aumentar o nível de produção local para reduzir a dependência de importações, está reforçando seu apoio ao setor.
Na Argélia, o governo autorizou compromissos de gastos públicos totalizando 764,2 bilhões de dinares (US$ 5,84 bilhões) para o setor agrícola como parte do projeto de Lei do Orçamento (PLF) 2026. O anúncio foi feito por Yacine El-Mahdi Oualid, Ministro da Agricultura, na segunda-feira, 3 de novembro, durante uma audiência perante a Comissão de Finanças e Orçamento da Assembleia Popular Nacional (APN).
No geral, o orçamento anunciado é 4% maior em comparação ao montante alocado no PLF 2025 (US$ 5,5 bilhões). De acordo com os detalhes divulgados pela Argélia Press Service (APS), esse orçamento previsto será destinado em 90,25% aos programas dedicados à agricultura e ao desenvolvimento rural, 6% aos programas florestais, 3% à administração geral, enquanto o restante será destinado à pesca e à aquicultura.
Vale destacar que a decisão de aumentar o orçamento agrícola veio poucos dias após a Conferência Nacional sobre a Modernização da Agricultura, realizada em 27 e 28 de outubro de 2025, onde o governo reafirmou seu compromisso de enfrentar os desafios persistentes no setor. Segundo informações divulgadas pela mídia local, a conferência destacou a necessidade de uma transformação agrícola baseada em tecnologia e inovação, como resposta a indicadores de desempenho preocupantes em várias áreas.
Os dados mencionados pelo Ministério da Agricultura mostram, por exemplo, que a renda anual média de grãos é de 1,8 tonelada por hectare, o que é duas vezes menor que a média mundial (3,9 toneladas). Além disso, há outros desafios, como a fraqueza das cadeias de refrigeração e armazenamento, identificadas como a principal causa das perdas pós-colheita, que afetam entre 20 e 30% da produção agrícola cada ano, e a taxa de uso de técnicas de irrigação modernas, que não excedem 15% da área irrigada, enquanto o país enfrenta uma diminuição dos recursos hídricos devido a uma seca estrutural agravada pela mudança climática.
Todos esses fatores limitam a exploração do potencial agrícola e perpetuam uma forte dependência de importações agrícolas e alimentares. Vale lembrar que a Argélia é o segundo maior gastador em importações de alimentos na África após o Egito.
No país do Norte da África, a conta de importações de alimentos em 2024 aumentou 10,66% para chegar a US$ 10,97 bilhões, segundo dados compilados pelo Banco Central do país. De acordo com a instituição financeira, os motores desse crescimento foram carne, vegetais, e grãos (trigo e cevada).
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc