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Fertilizantes: o Egito impõe uma taxa sobre as suas exportações num mercado mundial sob tensão.

Fertilizantes: o Egito impõe uma taxa sobre as suas exportações num mercado mundial sob tensão.
Quinta-feira, 7 de Maio de 2026

Desde o início do conflito no Médio Oriente, em fevereiro de 2026, o mercado mundial dos fertilizantes encontra-se sob pressão. À medida que as preocupações com a oferta global se intensificam, o Egito, um dos principais atores do comércio internacional, está a endurecer as condições de exportação dos seus fertilizantes azotados.

O Egito instituiu uma taxa temporária de exportação sobre os fertilizantes azotados por um período de três meses. A medida, anunciada no Jornal Oficial do país, entrou em vigor a partir de 5 de maio de 2026.

Esta taxa, fixada pelo Ministério do Investimento e do Comércio egípcio, será aplicada no valor de 90 dólares por tonelada de fertilizante exportado, ou o equivalente em libras egípcias. Segundo informações divulgadas pelo meio local Arab Finance, esta iniciativa visa encontrar um equilíbrio entre o abastecimento da procura interna de fertilizantes e a estabilidade dos preços. Sugere ainda uma vontade do Cairo de garantir o abastecimento do mercado interno de fertilizantes azotados, evitando uma forte orientação dos volumes para a exportação, num momento em que o mercado mundial dos fertilizantes já atravessa um período de forte tensão.

No seu mais recente relatório “Commodity Markets Outlook”, publicado a 28 de abril, o Banco Mundial indicava que os preços globais dos fertilizantes poderiam subir mais de 30% em 2026, devido ao conflito no Médio Oriente e às perturbações no transporte marítimo no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do comércio marítimo mundial de fertilizantes, ou cerca de 16 milhões de toneladas por ano.

A instituição sublinhava ainda que os receios relacionados com o abastecimento interno poderão levar alguns grandes exportadores a impor restrições comerciais para proteger os seus mercados locais. A taxa imposta pelo Egito surge assim como uma das primeiras manifestações concretas desse risco no mercado internacional.

A ureia, principal fertilizante azotado utilizado no mundo, está particularmente exposta a estas tensões. Segundo o Banco Mundial, o seu preço poderá atingir em média 675 dólares por tonelada este ano, cerca de 60% acima do nível de 2025.

Um equilíbrio entre mercado interno e receitas públicas

Embora a taxa aplicada pelo Cairo vise sobretudo reduzir as exportações de fertilizantes azotados, poderá também resultar num aumento das receitas públicas.

O Egito desempenha um papel importante no comércio desta categoria de fertilizantes. Segundo dados da Trade Map, o país exportou cerca de 3,54 milhões de toneladas de fertilizantes azotados em 2024, ocupando o 7.º lugar entre os maiores exportadores mundiais, atrás da China, Rússia, Omã, Países Baixos, Bélgica e Estados Unidos.

Num contexto de preços internacionais elevados, os operadores poderão ser incentivados a manter os volumes de exportação para beneficiar das condições de mercado, apesar da nova taxa. Esta poderá assim tornar-se uma fonte adicional de receitas para o Estado, dependendo dos volumes exportados. No entanto, o efeito final dependerá do impacto da medida na competitividade dos fertilizantes egípcios face aos restantes fornecedores globais.

Num mercado mundial já sob forte pressão, qualquer medida que limite ou encareça as exportações de um grande fornecedor como o Egito pode agravar as perturbações na oferta e aumentar a volatilidade dos preços internacionais. O país dos faraós não é, aliás, o único exportador a adotar uma postura defensiva: em abril, a Rússia também anunciou a intenção de limitar as suas exportações de fertilizantes, incluindo os azotados, entre junho e novembro de 2026.

Stéphan Assocle

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