Enquanto a Argélia importa uma parte significativa das suas necessidades em açúcar, as perspetivas para projetos de investimento na produção local deste produto mostram-se promissoras.
O grupo Cevital, maior conglomerado privado da Argélia, lançou um projeto de cultivo e transformação de beterraba sacarina, com um investimento de 600 milhões de dólares.
O projeto inclui o cultivo da beterraba sacarina numa concessão agrícola com uma área de 1 200 hectares na wilaya de Ghardaïa, uma zona situada na parte norte do deserto do Saara, segundo uma reportagem difundida na terça-feira, 5 de maio, pela televisão pública argelina.
No local, de clima semiárido, os trabalhos já começaram, incluindo uma perfuração que atingiu 385 metros de profundidade. Os primeiros testes de cultivo, realizados em 2024, apresentaram taxas de extração de açúcar entre 18% e 20%, consideradas encorajadoras.
Um complexo de transformação, incluindo uma refinaria, deverá ser construído perto da área de cultivo e entrar em funcionamento em 2028. A proximidade entre os campos e a unidade industrial é essencial, uma vez que a beterraba sacarina deve ser processada rapidamente após a colheita para evitar perdas significativas de açúcar. Um dos motivos do fracasso desta cultura na Argélia nos anos 80 foi precisamente a distância entre as zonas de produção e as unidades de transformação.
O maior importador africano de açúcar
O projeto da Cevital deverá gerar cerca de 5 000 empregos. Poderão ainda surgir atividades económicas complementares ligadas à utilização dos subprodutos da beterraba, como a polpa e a melada, sobretudo para alimentação animal.
A Argélia continua a ser o maior importador africano de açúcar e um dos maiores compradores mundiais, com importações estimadas em cerca de 2,3 milhões de toneladas por ano. Em 2023, a fatura destas importações ultrapassou 931,7 milhões de dólares.
Fundado em 1998 pelo empresário Issad Rebrab, o grupo Cevital atua em vários setores, desde o agroalimentar à distribuição automóvel, passando pelo vidro, média, construção, eletrónica e siderurgia. Rebrab, uma das figuras empresariais mais conhecidas da Argélia, transferiu em 2022 a liderança do grupo para o seu filho Malik, num processo de reorientação estratégica para o setor agroindustrial.
Walid Kéfi













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