A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de castanha de caju e o terceiro maior transformador, atrás do Vietnã e da Índia. No início de cada campanha, a questão do preço de compra da matéria-prima é central, tanto para os agricultores quanto para os industriais.
No país, o preço mínimo borda de campo por quilograma de castanha de caju foi fixado em 400 FCFA para a campanha 2026, anunciou Bruno Nabagné Koné, ministro da Agricultura e Desenvolvimento Sustentável, em 6 de fevereiro.
Este valor representa uma queda de 6 % em relação ao da campanha anterior (425 FCFA). As autoridades justificam a redução pelo recuo observado no mercado internacional, agravado por medidas tarifárias restritivas impostas pelos Estados Unidos.
Washington, de fato, aplicou tarifas adicionais sobre importações de produtos agrícolas e alimentares, incluindo a castanha de caju, entre agosto e novembro de 2025, pressionando o mercado global naquele ano. Além disso, há incertezas quanto à retomada da demanda nos EUA em 2026, tradicionalmente o maior importador mundial de amêndoas de caju, apesar da anulação das tarifas adicionais.
“O trumpeconomics provocou uma queda drástica das importações em 2025. A América do Norte ficou atrás da Europa e da China como mercado de importação de castanha de caju. Essa queda foi absorvida principalmente pelos estoques finais [que devem estar muito baixos] ou reflete uma real diminuição do consumo? A evolução das importações americanas em 2026 deverá ser acompanhada de perto, pois pode ser o grande fator de perturbação do mercado”, destaca o serviço independente de consultoria comercial N’Kalô em seu boletim de 3 de fevereiro.
Segundo o ministro Koné, a fixação de um preço mínimo prudente, mas protetor, é necessária para garantir a comercialização de toda a produção nacional e proteger a renda dos produtores. “O ministro não descartou a possibilidade de aumento do preço, como em campanhas anteriores, caso a situação internacional melhore”, acrescentou o comunicado.
Dados compilados pela Direção-Geral das Alfândegas da Costa do Marfim mostram que os EUA foram a terceira maior destinação das amêndoas de caju exportadas pelo país em 2024, com compras avaliadas em 29,3 bilhões de FCFA (52,7 milhões de USD), atrás do Vietnã e dos Países Baixos.
Embora essas compras representem apenas 11,8 % da receita total da exportação de amêndoas, a redução da demanda americana, como em 2025, pode provocar efeito dominó, já que Vietnã e Índia compram quase todo o volume exportado pelo país, mas fornecem principalmente os EUA.
Uma tendência regional a observar
Na África Ocidental, principal região produtora mundial de castanha de caju, a Costa do Marfim não é o único país a reduzir o preço de compra da matéria-prima. Em dezembro, o preço mínimo por quilograma de castanha de caju bruta no Gana foi fixado em 12 cedis (1,04 USD), uma queda de 20 % em relação à campanha anterior.
Segundo a Autoridade de Desenvolvimento das Culturas Arborícolas (TCDA), essa decisão também se explica pelas condições do mercado internacional. O início das campanhas em outros países produtores da região, como Benim, Nigéria e Guiné-Bissau, permitirá avaliar a dinâmica regional.
De qualquer forma, a redução do preço mínimo pode estimular o interesse dos transformadores. Em 2025, a transformação de castanha de caju na África Ocidental cresceu 51 %, atingindo 732 000 toneladas, segundo estimativas preliminares da N’Kalô.
Esse crescimento é liderado por três países: Costa do Marfim, Benim e Gana. A filiera marfinense teria processado sozinha 600 000 toneladas, cerca de 81 % do volume total transformado na região.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc