Economia alimentar na África Ocidental representa 35% do PIB, mas sistemas ainda precisam de eficiência
Na África Ocidental, a economia alimentar representa 35% do PIB. Embora a produção agrícola tenha aumentado significativamente nas últimas duas décadas, é necessário reforçar a eficiência dos sistemas alimentares para atender à crescente demanda.
A edição de 2025 do relatório “Dinâmicas do Desenvolvimento em África”, publicada no final de novembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e pela Comissão da União Africana (CUA), indica que a insuficiência de infraestruturas de transporte e energia continua a ser um grande obstáculo ao desenvolvimento da agroindústria na região.
Enquanto a demanda alimentar cresce devido ao aumento populacional, os autores destacam que a instabilidade no fornecimento de energia e a falta de facilidades de transporte mantêm elevados os fluxos de importação de alimentos em vários países. A ausência de acessos rurais para transportar produtos aos mercados provoca perdas pós-colheita significativas, e as pequenas e médias empresas (PME) do setor agroalimentar são prejudicadas pelo acesso limitado e pouco confiável à eletricidade.
Esses fatores elevam os riscos e os custos operacionais, resultando em preços mais altos para os produtos básicos. Na região, os preços alimentares são 30% a 40% superiores aos do resto do mundo para níveis de rendimento per capita comparáveis, segundo a OCDE. “Apesar da riqueza de recursos naturais, os países da região importam produtos alimentares processados, como a Serra Leoa, que deixa 75% das suas terras aráveis sem cultivar e importa 80% dos seus alimentos prontos para consumo”, afirmam os autores.
O apelo da OCDE e da CUA por mais investimentos em infraestruturas de transporte e energia para melhorar a eficiência dos sistemas alimentares mantém-se relevante, num contexto em que se prevê que a demanda regional de produtos alimentares atinja 480 mil milhões de USD até 2030, contra 126 mil milhões em 2010.
Este apelo soma-se ao relatório de 2024, que destacava a necessidade de reforçar competências em tecnologias agrícolas (como mecanização e irrigação), segurança alimentar (gestão, controlo e rastreabilidade), bem como planeamento estratégico, gestão e organização de recursos.
Espoir Olodo













Marrakech. Maroc