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Gana: 50 000 toneladas de cacau não vendido durante a campanha 2025/2026 (Cocobod)

Gana: 50 000 toneladas de cacau não vendido durante a campanha 2025/2026 (Cocobod)
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026

No Gana, o setor do cacau representa 15% das receitas de exportação. O país enfrenta dificuldades na comercialização das suas amêndoas.

Na bacia cacaueira da África Ocidental, a crise está a ganhar dimensão. Depois da Costa do Marfim, o Gana anunciou na semana passada um stock de 50 000 toneladas de amêndoas não vendidas nos seus portos. Segundo o Conselho Ganês do Cacau (Cocobod), o país comercializou, desde o início da campanha 2025/2026, 530 000 toneladas de cacau.

«Estamos a ter discussões muito sérias. É um dossiê que o governo leva extremamente a sério e queremos resolver a questão o mais rapidamente possível», declarou à Reuters Ransford Abbey, diretor-geral do Cocobod.

Na antiga Gold Coast, tal como no país vizinho, a Costa do Marfim, o sistema de comercialização foi fragilizado pela queda acentuada dos preços. Próximos de 13 000 dólares por tonelada na Bolsa de Nova Iorque, em dezembro de 2024, os preços caíram para entre 5 000 e 6 000 dólares por tonelada um ano depois. Desde o início deste mês, os preços oscilam em torno dos 4 000 dólares.

Este contexto, aliado a um preço de compra ao produtor historicamente elevado de 58 000 cedis por tonelada (5 281 dólares), mergulhou os traders numa crise de liquidez e levou à acumulação de amêndoas.

Rumo a uma intervenção pública?

Na Costa do Marfim, o governo anunciou, a 20 de janeiro, a recompra de 123 000 toneladas de cacau não vendido nas zonas de produção, por um total de 280 mil milhões de FCFA (508 milhões de dólares). Este cenário repetir-se-á também no Gana? Entre as empresas licenciadas de compra (Licensed Buying Companies - LBCs), há apelos para que as autoridades reconheçam a dimensão da crise.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, estas empresas consideram urgente a mobilização de fundos para a recompra de 300 000 toneladas de amêndoas. Este volume inclui não apenas o stock nos portos, mas também quantidades ainda não pagas e armazenadas no interior do país pelas LBCs, os stocks ainda detidos pelos produtores, bem como as quantidades adicionais esperadas da colheita intermédia, entre março e agosto.

Espoir Olodo

 

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