Em África, o mercado de alimentos para animais está em plena expansão, impulsionado pelo crescimento da pecuária e pelo aumento das necessidades de consumo de proteínas de origem animal. Embora parte da procura seja satisfeita por importações, existem também perspetivas de investimento na produção local.
A empresa neerlandesa De Heus, especializada em nutrição animal, anunciou na semana passada ter concluído a construção de uma fábrica de alimentos para animais na cidade de Athi River, no Quénia. Com um investimento total de 32 milhões de dólares, esta unidade, cuja entrada oficial em funcionamento está prevista para quarta-feira, 18 de fevereiro, dispõe de uma capacidade de produção anual de 200 000 toneladas de ração, expansível até 260 000 toneladas. Deverá fornecer uma vasta gama de produtos especializados para aves, suínos, ruminantes e aquacultura.
Este investimento insere-se no âmbito da expansão do grupo em África, que se tem acelerado desde o ano passado. Antes do Quénia, a De Heus anunciou, a 17 de setembro de 2025, ter iniciado diligências para instalar outra fábrica na Côte d’Ivoire, sem contudo especificar o montante do investimento nem a capacidade prevista. Ainda antes, a 2 de setembro de 2025, o grupo inaugurou no Uganda uma unidade exclusivamente dedicada à aquacultura. Avaliada em 25 milhões de dólares, esta unidade industrial tem uma capacidade anual de produção de 100 000 toneladas de alimentos para peixes.
Mais cedo, em março de 2025, a empresa anunciou também a entrada em funcionamento de uma fábrica de alimentos para bovinos com capacidade anual de 15 000 toneladas na África do Sul, país onde já opera vários sites industriais. No total, a De Heus reforçou assim a sua capacidade de produção no continente, com três novas fábricas operacionais em 12 meses e o anúncio de um novo projeto em preparação. O grupo mantém igualmente uma presença industrial de longa data noutros países como o Gana, o Egito e a Etiópia.
Perspetivas promissoras no mercado africano
A ofensiva africana conduzida pelo grupo neerlandês entre 2025 e 2026 ilustra a sua vontade de conquistar uma maior quota num mercado em rápido crescimento. Segundo projeções da Precision Business Insights, empresa de consultoria em inteligência económica, o mercado africano de alimentos para animais foi avaliado em 22,75 mil milhões de dólares em 2025 e deverá crescer, em média, 13,4% ao ano, para atingir 54,88 mil milhões de dólares até 2032.
Para explicar esta previsão otimista, a consultora destaca o efeito combinado do aumento do consumo de carne e de outros produtos proteicos de origem animal, bem como do crescimento demográfico nos países africanos. Para além destas dinâmicas, a Precision Business Insights indica que fatores como o recrudescimento de surtos de doenças animais e a produção em larga escala em sistemas de criação intensiva deverão também impulsionar o mercado africano de alimentos para animais nos próximos anos.
Neste contexto favorável, a aceleração dos investimentos da De Heus sugere igualmente a intenção de se manter competitiva face a outras multinacionais, como as suas compatriotas neerlandesas Nutreco NV e Koninklijke DSM N.V., bem como as norte-americanas Cargill e Novus International, a alemã BASF SE e a austríaca Biomin Holding GmbH.
Em África, a produção de alimentos para animais intensifica-se tanto por impulso de multinacionais como de empresas locais. Segundo o mais recente relatório “Agri-Food Outlook” da empresa norte-americana Alltech, a produção aumentou 7,2%, atingindo 57,7 milhões de toneladas em 2024, registando o maior crescimento anual observado a nível mundial. O relatório indica ainda que 40 novas fábricas de alimentos para animais entraram em funcionamento no continente em 2024.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc