O Nigéria é o segundo maior produtor africano de tomate, depois do Egito. Enquanto as perdas pós-colheita já constituem um grande desafio para o setor hortícola, a cadeia produtiva também enfrenta ataques recorrentes de pragas.
No país, o Ministério da Agricultura lançou, no último dia 12 de fevereiro, um programa de emergência contra a propagação da traça-do-tomateiro sul-americana (Tuta absoluta), atualmente considerada a principal praga dessa cultura. Trata-se de uma espécie de inseto da ordem das borboletas que se alimenta das folhas e dos frutos da planta, podendo provocar perdas de 80% a 100% da colheita em campos não tratados.
Segundo comunicado publicado no site do Ministério da Informação, a iniciativa visa sensibilizar os agricultores, fornecer insumos fitossanitários aprovados e garantir assistência técnica sobre práticas de manejo integrado para conter rapidamente as infestações.
O programa também servirá para difundir as variedades de tomate HORTITOM4 e HORTITOM5, desenvolvidas em 2025 e adaptadas tanto ao cultivo em campo aberto quanto em estufas ou sob irrigação. De acordo com as autoridades, essas variedades apresentam boa tolerância a doenças e rendimentos entre 21,7 e 27,2 toneladas por hectare.
“A tomate não é apenas um legume amplamente cultivado e consumido no país, mas também uma importante fonte de renda para os pequenos produtores. O Nigéria está entre os principais produtores de tomate na África, e essa cultura sustenta milhões de empregos na produção, processamento, transporte e comercialização”, declarou Aliyu Sabi Abdullahi, ministro da Agricultura.
Esse desenvolvimento ocorre após a cadeia produtiva nigeriana já ter registrado, no ano passado, perdas de colheitas relacionadas à Tuta absoluta em vários estados produtores do norte, incluindo Kano, Katsina e Kaduna. Em maio de 2025, o Ministério da Agricultura estimou que essas perdas ultrapassaram 1,3 bilhão de nairas e contribuíram para o aumento dos preços nos mercados.
Em seu relatório anual de 2024 sobre a campanha agrícola no Nigéria, o NAERLS (Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação para Pesquisa) destacou, por exemplo, que o estado de Kano enfrentou naquele ano infestações de pragas, incluindo a ressurgência da Tuta absoluta.
No Nigéria, a produção de tomate praticamente estagnou em termos anuais, atingindo 3,73 milhões de toneladas, segundo dados da NAERLS, ocupando uma área de cerca de 824.000 hectares.
Stéphanas Assocle













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