No Burkina Faso, duas unidades de fabrico de alimentos para peixes, localizadas respetivamente em Bobo-Dioulasso e Bagré, entraram oficialmente em funcionamento no dia 13 de março. Com um custo total de 1,5 mil milhões de francos CFA (cerca de 2,6 milhões de dólares), mobilizados pelo Ministério da Agricultura, cada uma dessas unidades possui uma capacidade de produção entre 1,5 e 2 toneladas por hora.
Num comunicado publicado no seu site, o referido ministério indica que a fábrica de alimentos situada em Bobo-Dioulasso será administrada pela empresa estatal Faso Guulgo, especializada na produção de alimentos para aves, gado e peixes, enquanto a gestão da segunda unidade foi confiada à empresa estatal Faso Agropole.
“A entrada em funcionamento dessas infraestruturas permitirá garantir o abastecimento de insumos essenciais, melhorar a competitividade da produção nacional e acelerar o desenvolvimento do setor piscícola. Contribuirá igualmente para a criação de empregos diretos e indiretos, especialmente para os jovens”, destaca o comunicado.
Num contexto em que a alimentação representa a maior parte dos custos de produção, o aumento da oferta local deverá ajudar a melhorar a competitividade dos produtores e apoiar a expansão da atividade. Num relatório publicado em janeiro passado, o Fórum Económico Mundial (WEF) salientou que, em África, as limitações ligadas aos alimentos para peixes provocam custos de produção aquícola 10% a 20% superiores às médias mundiais.
“Estes custos elevados devem-se à dependência de alimentos piscícolas convencionais, importados devido à limitada capacidade de produção local, e compostos por farelo de soja [também essencial para o consumo humano] e farinha de peixe [extraída de peixes capturados na natureza]”, explica o WEF.
Multiplicação de projetos piscícolas nos últimos anos
No Burkina Faso, o Ministério da Agricultura já tinha inaugurado, no 4 de fevereiro, um projeto de produção aquícola em gaiolas flutuantes num local situado em Dori, na região do Liptako, com um potencial de produção de 200 toneladas de peixe por ano.
Antes do projeto de Dori, a produção de peixe em gaiolas flutuantes tinha sido experimentada pela primeira vez com sucesso em abril de 2024 no local da barragem de Samandéni, na região dos Hauts-Bassins, no âmbito da Ofensiva Agropastoral e Halieútica, onde 180 gaiolas flutuantes foram inicialmente instaladas. A ambição das autoridades era alcançar uma produção de 54 000 toneladas de peixe por ano no local, atraindo investidores privados.
Na sequência do sucesso de Samandéni, um projeto de piscicultura em gaiolas flutuantes apoiado pelo Fundo de Soberania Alimentar, denominado “Dumu Ka Fa”, foi lançado no local do reservatório da barragem de Bagré no mesmo ano. Envolvendo inicialmente 44 promotores privados, o projeto tem potencial para produzir 1 500 toneladas de peixe por ano.
Segundo dados oficiais, o potencial teórico de desenvolvimento da aquacultura no Burkina Faso é estimado em 110 000 toneladas de peixe por ano, das quais apenas cerca de 1% é atualmente explorado. De acordo com a FAO, a produção proveniente da aquacultura no país totalizou apenas 1 127 toneladas em 2023.
Stéphanas Assocle













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