A empresa chinesa GCL Group fornece gás natural à fábrica de fertilizantes em construção de Dangote em Gode, na Etiópia, desde o ano passado. Segundo a imprensa internacional, esta operação foi negociada por um montante total de 4,2 mil milhões de dólares.
Uma fonte de fornecimento local
Está previsto que o gás natural fornecido pela GCL seja extraído do campo de Calub, localizado na bacia de Ogaden na Etiópia, e transportado através de um gasoduto dedicado de 108 km diretamente para o complexo de fertilizantes de Dangote em Gode.
«Graças a uma integração fluida e a uma cooperação estratégica com a GCL, estabeleceremos uma cadeia de valor completa, desde a extração do gás natural até à produção de fertilizantes, dando assim um passo crucial para uma maior autonomia de África em termos de segurança alimentar», declarou Aliko Dangote, presidente-executivo da Dangote Industries Limited.
O grupo chinês GCL desenvolve e opera, em parceria com o Estado etíope, o projeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) de Ogaden, localizado em Calub, na região Somali, desde 2013. O projeto sofreu várias interrupções e fases de reestruturação, mas uma etapa importante foi alcançada em 2 de outubro de 2025, com a inauguração da primeira fase das instalações, com capacidade anual de 111 milhões de litros de GNL. A segunda fase do projeto foi lançada simultaneamente, prevendo-se uma capacidade anual final de 1,33 mil milhões de litros, embora ainda não haja um calendário definido para a entrada em funcionamento.
Por enquanto, o volume de gás incluído no acordo de fornecimento entre as partes não foi divulgado. Contudo, a fábrica de fertilizantes de Dangote em Gode, prevista para entrar em operação até 2029, terá capacidade para produzir 3 milhões de toneladas de ureia por ano.
Um mercado estratégico
Com a construção desta fábrica de ureia, o grupo Dangote pretende cobrir totalmente as necessidades atuais de importação de ureia da Etiópia, ao mesmo tempo que abastece os mercados regionais vizinhos.
Importador significativo de fertilizantes em África, a Etiópia adquiriu cerca de 2,32 milhões de toneladas de fertilizantes no mercado internacional em 2024, segundo dados do International Fertilizer Development Center (IFDC).
Atualmente, não existe produção primária de fertilizantes inorgânicos na Etiópia, conferindo ao projeto de Dangote uma importância estratégica para a soberania agrícola e industrial do país.
Recorde-se que os trabalhos de construção da fábrica de Gode envolvem um investimento de 2,5 mil milhões de dólares.
Até à entrada em operação da fábrica, o país continuará dependente das importações. Na Etiópia, o governo exerce um controlo significativo sobre a cadeia de abastecimento de fertilizantes, com mais de 90 % dos fertilizantes importados a passarem pela Ethiopian Agricultural Businesses Corporation (EABC), sendo a distribuição aos produtores facilitada pelas cooperativas.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc