Na Costa do Marfim, o setor agrícola representa cerca de 15% do PIB e emprega aproximadamente 46% da população ativa. No âmbito da sua política de soberania alimentar, o governo apoia ativamente o desenvolvimento da produção agrícola no país.
No dia 17 de fevereiro, a Agência Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Rural (ANADER) anunciou a adoção do seu novo plano estratégico de desenvolvimento para o período 2026-2030. Este plano, com um custo total estimado em 167,42 bilhões de francos CFA (aproximadamente 300 milhões de dólares), tem como objetivo reforçar a produtividade agrícola e promover a resiliência das populações rurais.
Eixos estratégicos do plano
De acordo com a Agência Ivoirienne de Imprensa (AIP), este plano estratégico assenta em cinco eixos principais, nomeadamente:
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Reforçar a competitividade agrícola,
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Intensificar e personalizar o aconselhamento aos produtores,
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Facilitar o acesso a insumos e à mecanização,
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Desenvolver um quadro rural integrado, com a estruturação das organizações profissionais, a sensibilização para a saúde comunitária e a nutrição,
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Apoiar as autoridades locais na sua planificação e desenvolvimento territorial.
Objetivos de rendimento e modernização
O plano tem como alvo principal culturas alimentares estratégicas, como o arroz, o milho, a mandioca, os cultivos hortícolas, assim como a pecuária de bovinos, ovinos e suínos. O objetivo é aumentar os rendimentos e as superfícies cultivadas, enquanto se modernizam as práticas agrícolas e pecuárias. A ANADER prevê, por exemplo, aumentar o rendimento da mandioca de 22 para 45 toneladas por hectare e o rendimento do arroz de 4 para 8 toneladas por hectare.
Para alcançar esses objetivos, a ANADER irá colocar ênfase na modernização das práticas agrícolas, adotando soluções como a digitalização das operações no terreno, o uso de drones, a mecanização das explorações agrícolas e um reforço do ancoramento territorial com as suas 60 zonas de intervenção e 1.100 centros rurais por todo o país.
Dependência das importações alimentares
Apesar desses esforços em favor da soberania alimentar, a Costa do Marfim continua a ser fortemente dependente das importações de produtos alimentares. De acordo com um relatório publicado pela CNUCED em julho de 2025, a Costa do Marfim importou cerca de 2,89 bilhões de dólares de produtos agrícolas e alimentares entre 2021 e 2023. Entre as principais importações, encontram-se o arroz, as carnes e miudezas comestíveis, que são precisamente os setores visados pelo novo plano da ANADER.
Um país em busca de segurança alimentar
Apesar do seu potencial agrícola, a Costa do Marfim está classificada como o segundo país da África Ocidental com as maiores despesas em importações alimentares, depois da Nigéria. O governo, através da ANADER, procura reduzir esta dependência e aumentar a produção local para melhorar a segurança alimentar do país.
Stéphanas Assocle













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