Au Ghana, o setor das pescas contribui com cerca de 4% para o PIB e fornece fontes de rendimento a quase 10% da população. Tal como na maioria dos países costeiros, a pesca ilegal constitui um dos principais desafios para a sustentabilidade dos recursos haliêuticos.
No Ghana, o Ministério das Pescas e da Aquacultura lançou a 18 de maio um novo projeto com a duração de três anos, destinado a melhorar a gestão dos recursos haliêuticos. Segundo um comunicado publicado no site do ministério, esta iniciativa permitirá acelerar a conformidade do país com o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre subsídios à pesca.
Este compromisso internacional, em vigor desde setembro de 2025, visa limitar subsídios públicos considerados prejudiciais que contribuem para o esgotamento dos recursos marinhos. Concretamente, proíbe apoios públicos que favoreçam a pesca ilegal, a captura de stocks sobreexplorados e as atividades de pesca em águas internacionais sem regulamentação. O objetivo é proteger os stocks globais e preservar os meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas dependentes da pesca.
Um programa centrado na transparência e na sustentabilidade
Neste contexto, o projeto trienal lançado pelo governo beneficia de financiamento do Fundo da OMC para as Pescas e é implementado em parceria com a Global Fisheries and Resilience Action (GFRA), uma organização não governamental sediada em Acra que trabalha para a sustentabilidade das pescas e a resiliência das comunidades costeiras.
As intervenções previstas assentam em cinco eixos estratégicos, incluindo o controlo dos fluxos de subsídios, a avaliação do estado dos stocks de peixe, a proteção dos meios de subsistência das comunidades costeiras, a promoção da equidade na cadeia de valor e o reforço da governação do setor.
Segundo as autoridades, foi criado um comité de coordenação com 11 membros para supervisionar a execução do projeto. Este comité reunirá mensalmente, facilitará consultas regulares com as partes interessadas e realizará avaliações trimestrais rigorosas para garantir que o Gana cumpre os seus compromissos perante a OMC.
A ministra das Pescas, Emelia Arthur, afirmou que “este projeto é essencial não apenas para cumprir os compromissos internacionais do Gana, mas também para assegurar a sustentabilidade a longo prazo do setor das pescas e da economia costeira”.
No Ghana, onde a produção de peixe ultrapassa 400 000 toneladas por ano, as autoridades estimam perdas superiores a 23,7 milhões de dólares devido à pesca ilegal. Segundo a OMC, mais de 60% dos subsídios públicos mundiais ao setor das pescas contribuem para o esgotamento dos recursos marinhos.
Stéphanas Assocle













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