No Nigéria, a avicultura é a atividade mais importante do setor pecuário em termos de efetivo. Embora a capacidade de produção e transformação ainda seja baixa face às necessidades do mercado, o governo procura mobilizar mais investimentos neste domínio.
O governo do Estado de Ogun anunciou, a 15 de janeiro, a inauguração de uma unidade de transformação avícola com capacidade para processar 5.000 aves por dia, ou cerca de 1,3 milhão de cabeças por ano, de acordo com informações divulgadas pelos meios de comunicação locais. Instalado no complexo agrícola de Ajegunle, na área do governo local de Odeda, este projeto faz parte do Projeto de Transformação Económica do Estado (OGSTEP), apoiado pelo Banco Mundial.
Bolu Owotomo, Comissário da Agricultura e Segurança Alimentar, explicou que esta unidade se insere numa estratégia mais ampla, incluindo o Programa de Desenvolvimento das Cadeias de Valor e as Zonas Especiais de Transformação Agroindustrial, consolidando Ogun como um polo avícola de referência no Nigéria.
Paralelamente, o governo do Estado de Kaduna anunciou também a 15 de janeiro o lançamento iminente de um mega-projeto avícola de 200 milhões de dólares, considerado um dos maiores do país. Segundo o governador Uba Sani, este projeto poderá gerar mais de 450 milhões de dólares de receitas anuais e criar cerca de 350.000 empregos diretos e indiretos.
O objetivo vai além da produção: pretende posicionar Kaduna como um hub de agronegócios moderno, através de parcerias tecnológicas com empresas chinesas especializadas na produção industrial de ovos e aves.
Um quadro nacional para atrair investidores
Estes dois projetos regionais surgem num momento em que Abuja procura criar um ambiente favorável ao investimento e ao desenvolvimento da indústria avícola. Em setembro de 2025, o Ministério do Desenvolvimento Pecuário divulgou o Plano Diretor Nacional de Pecuária (NLMP), elaborado com o apoio do Instituto Internacional de Investigação Pecuária (ILRI), organização científica internacional especializada no desenvolvimento pecuário em países em desenvolvimento.
Segundo as autoridades, este plano quinquenal visa transformar o setor pecuário num motor de segurança alimentar, prosperidade rural e crescimento económico nacional. O NLMP identifica a avicultura como uma cadeia de valor prioritária, ao lado da pecuária bovina, pequenos ruminantes, suínos e sistemas de alimentação animal.
O plano também propõe estratégias para melhoria genética, saúde animal, desenvolvimento de rações e pastagens, acesso a mercados e coordenação da investigação. Segundo o ILRI, o NLMP “não se limita a insumos técnicos; visa criar um ambiente onde políticas públicas, investimento e inovação convergem para gerar mudanças sustentáveis”.
O objetivo final é reduzir a dependência das importações de proteínas animais, num país onde a procura por carne e ovos cresce rapidamente devido à urbanização e crescimento demográfico.
Desafios estruturais persistentes
Apesar da proibição da importação de carne de frango desde 2003, o comércio ilegal continua a alimentar o mercado, evidenciando que a produção local ainda é insuficiente para suprir a procura. A empresa agroalimentar singapurense Olam Agri estima que entre 150 e 200 milhões de dólares de carne de aves são ilegalmente importadas anualmente no país.
A indústria local enfrenta desafios de longa data: o custo e a disponibilidade de alimentos para aves, dependentes sobretudo de milho e soja, é um obstáculo à rentabilidade; questões de biossegurança, doenças animais e acesso a financiamento continuam a afetar os pequenos produtores.
O NLMP procura responder a estas limitações. Segundo o plano, investimentos em sistemas de alimentação e pastagens poderiam aumentar a produtividade em 40%, enquanto uma melhor cobertura vacinal reduziria a mortalidade animal em 65%. O sucesso depende da coordenação eficaz entre autoridades, investidores privados e produtores.
Rumo a uma nova fase de desenvolvimento da avicultura nigeriana
Os projetos anunciados desde o início de 2026 sugerem um aumento de escala na indústria avícola do Nigéria. Entre a emergência de projetos industriais de grande dimensão e a existência de um quadro de desenvolvimento mais estruturado, o setor parece entrar numa fase de consolidação.
Resta saber se o NLMP conseguirá gerar uma nova vaga de investimentos em outros estados produtores de aves nos próximos meses ou anos. A questão chave não é apenas anunciar investimentos, mas garantir a execução, sustentabilidade e integração dos pequenos produtores nas cadeias de valor industrializadas.
Em 2024, o efetivo total de frangos no Nigéria era de cerca de 809,8 milhões de aves, tornando-o, segundo o Serviço Nacional de Extensão Agrícola e Ligação à Investigação (NAERLS), o maior rebanho do país, mais de sete vezes superior ao das cabras, que constituem o segundo tipo de gado mais comum.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc