África Ocidental, verdadeiro epicentro da oferta mundial de caju, inicia suas campanhas de comercialização no início de cada novo ano. Após Gana e Costa do Marfim, é agora o Burkina Faso que dá início à sua nova temporada para o ano de 2026.
No Burkina Faso, o governo decidiu manter, para a campanha de 2026, o preço mínimo “bord champ” do quilograma de caju, fixado em 385 francos CFA (0,69 $) em 2025. O anúncio foi feito por Ismaël Sombié, ministro da Agricultura, durante uma cerimônia oficial realizada em Ouagadougou para lançar as campanhas de frutas no país, em 21 de fevereiro.
Este preço é inferior aos praticados na Costa do Marfim (0,79 $/kg) e em Gana (1,09 $/kg). Contrasta, porém, com a decisão desses dois países vizinhos, que reduziram os preços “bord champ” em 6% e 20%, respetivamente, devido às incertezas sobre a procura internacional em 2026.
Segundo Sombié, a manutenção do preço mínimo visa garantir o acesso à matéria-prima para as unidades locais de processamento, dando continuidade às medidas de relançamento do setor de transformação iniciadas em 2025.
Uma abordagem mais gradual para apoiar a transformação em 2026
Entre as outras medidas adotadas para a campanha de 2026, Ouagadougou decidiu dedicar um período exclusivo de compra às unidades nacionais de processamento, bem como à Société Nationale de Gestion du Stock de Sécurité Alimentaire (SONAGESS), de 21 de fevereiro a 1 de abril.
“Durante este período estratégico, as exportações são suspensas para assegurar o fornecimento prioritário ao mercado local e apoiar a indústria nacional”, lê-se num comunicado do Conselho Burkinabè das Cadeias Agropecuárias e Pesqueiras (CBF).
É importante notar que medida semelhante é adotada pela Costa do Marfim, maior produtora e processadora de caju em África, com o objetivo de priorizar o abastecimento das indústrias locais antes de abrir o mercado aos exportadores.
Em março de 2025, Ouagadougou havia suspendido as exportações de castanhas de caju cruas para garantir o abastecimento das fábricas locais, levantando a proibição em maio ao afirmar que as unidades industriais já estavam devidamente abastecidas.
Estimativas preliminares do serviço independente de consultoria comercial N’kalô, publicadas num boletim sobre o mercado africano de caju em 3 de fevereiro, sugerem que a transformação de caju no Burkina Faso caiu 33%, situando-se em 10.000 toneladas em 2025.
Resta saber se a introdução de um período de compra exclusivo para as indústrias conseguirá dar nova dinâmica ao setor. Por outro lado, as metas de colheita e transformação de caju no Burkina Faso ainda não foram divulgadas.
Dados compilados pela FAO mostram que o país dos Homens Íntegros produziu, em média, cerca de 115.014 toneladas de caju por ano entre 2020 e 2024, com um pico de 147.616 toneladas registado em 2024.
Stéphanas Assocle













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