O Gabão pretende apoiar-se na experiência do Senegal para desenvolver a sua indústria avícola ainda incipiente. Esta informação surge no seguimento de uma missão de trabalho recente de Pacôme Kossy, ministro gabonês da Agricultura, a Dakar, que permitiu ao responsável obter o apoio do governo senegalês.
«O Senegal pretende acompanhar o Gabão na sua transformação: vamos co-construir um setor eficiente aproveitando a nossa experiência», destacou um comunicado do ministério da Agricultura do Senegal publicado a 20 de março.
Esta aproximação com Dakar ocorre depois de Libreville ter decidido, em 2025, proibir a importação de frangos de corte no território a partir de 1 de janeiro de 2027, numa lógica de reforço da soberania alimentar. Tal orientação pressupõe, no entanto, a criação de um ecossistema produtivo capaz de atender à procura local, tanto em volume como em preço.
O Senegal é um dos poucos países da África Ocidental, juntamente com a Nigéria, que aplica uma proibição rigorosa de importações de frangos de corte ou congelados há mais de duas décadas.
O sucesso do modelo senegalês
Aproveitando a crise sanitária causada pela gripe aviária na África Ocidental em 2005, Dakar suspendeu as importações de produtos avícolas para proteger os seus aviários. Esta medida permanece em vigor e abrange aves vivas, incluindo pintos de um dia (exceto pintos reprodutores), carne e cortes de aves, assim como ovos e produtos derivados para consumo.
Desde então, o setor avícola desenvolveu-se fortemente graças à melhor organização da cadeia, ao dinamismo do setor privado e à melhoria das práticas de produção. Em 2010, foi elaborado um plano de crescimento da filiera de «produtos avícolas», seguido em 2013 pela criação da Interprofissão Avícola do Senegal (IPAS), que reúne todos os intervenientes do setor, desde produtores a transformadores, comerciantes e distribuidores. A IPAS foi dotada de um plano estratégico para promover o setor, coordenar eficazmente os diferentes elos e aumentar a competitividade.
Um relatório de 2022 da Initiative Prospective Agricole et Rurale (IPAR) indica que a produção de pintos de corte no Senegal aumentou 40,47% entre 2015 e 2019, atingindo 51,4 milhões de pintos. No mesmo período, a produção de pintos de postura subiu 13,48% para 3,4 milhões, enquanto a produção de rações para aves aumentou 17,62%, chegando a 328 000 toneladas.
Quanto à carne de frango, os dados da FAO mostram que desde 2005 o Senegal mais que quintuplicou a produção local, passando de 29 042 toneladas para 159 502 toneladas em 2024.
Resta saber até que ponto o Gabão conseguirá adaptar este modelo à realidade económica do seu mercado. Para Libreville, o objetivo da autosuficiência ainda parece distante. Segundo a FAO, o país da África Central importou em média 74 319 toneladas de carne de frango entre 2020 e 2024, enquanto a produção local média no mesmo período foi de 4 150 toneladas.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc