No Sahel, as condições climáticas já dificultam o desenvolvimento da agricultura. A isso somam-se os ataques sazonais de pragas, como os gafanhotos migratórios, que representam um desafio adicional para os sistemas de produção agrícola na região.
No Senegal, a Direção de Proteção de Plantas (DPV) obteve, no dia 21 de fevereiro, uma verba de 100 milhões de francos CFA (179.646 USD) desbloqueada pela União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA). De acordo com informações divulgadas pela mídia local, este apoio financeiro faz parte do reforço do dispositivo nacional de combate ao gafanhoto migratório.
Está previsto que os recursos mobilizados permitam intensificar as operações de prospeção e monitorização dos gafanhotos migratórios em todo o território, adquirir pesticidas homologados em conformidade com as normas em vigor, reforçar as capacidades técnicas das equipas especializadas e garantir um desdobramento mais eficaz das unidades de intervenção no terreno.
Antes deste anúncio no Senegal, a UEMOA já tinha concedido, no dia 2 de fevereiro, um apoio idêntico de 100 milhões de CFA ao Mali para apoiar o Plano Nacional de Resposta contra os gafanhotos migratórios, com o mesmo objetivo. "Esta contribuição permitirá reforçar os nossos dispositivos de alerta precoce e garantir uma resposta rápida para proteger o trabalho dos nossos produtores", destacou, na altura, Siméon Kelema, ministro da Agricultura do Mali, em declarações divulgadas pela mídia local.
De forma geral, esses apoios financeiros refletem a vigilância da UEMOA face à ameaça acrídia, em particular no Sahel. Segundo a FAO, os gafanhotos migratórios são capazes de devorar, num único dia, uma quantidade de alimento equivalente ao consumo de 35.000 pessoas, o que os torna as pragas migratórias mais destrutivas do mundo.
Uma ameaça preocupante desde 2025
No seu último boletim informativo sobre a situação dos gafanhotos migratórios no mundo, publicado a 5 de fevereiro, a FAO estima que estes continuam a representar uma ameaça para os sistemas de produção em alguns países do Sahel.
"Em janeiro, o ressurgimento preocupante na Mauritânia e no Saara Ocidental dividiu-se em duas zonas. No sul, a zona infestada estendia-se desde o norte do Senegal até o sul da Mauritânia, com grupos de gafanhotos alados e pequenos enxames imaturos presentes, mas os seus números diminuíram na última década", sublinha o relatório.
Vale a pena notar que o ressurgimento dos focos no Sahel já era observado desde o final de 2025. No boletim informativo publicado um pouco antes, em dezembro do ano passado, a organização das Nações Unidas já mencionava o receio de uma reprodução dos insetos em outras regiões, incluindo o nordeste do Mali e o noroeste do Níger.
Embora a FAO se mostre otimista quanto à gestão dessas pragas em alguns países para o restante de 2026, recomenda que as operações de prospeção, monitorização e combate continuem a ser mantidas e até intensificadas à medida que a temporada de reprodução se reinicie, especialmente se as condições climáticas (chuvas localizadas e vegetação favorável) facilitarem um novo desenvolvimento das populações acrídidas.
Stéphanas Assocle













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