No Ruanda, o setor leiteiro é o mais dinâmico do subsegmento de pecuária, contribuindo com 10,5% para o PIB agrícola. Apesar do crescimento sustentado da produção nos últimos anos, a indústria local continua a enfrentar desafios importantes que ainda freiam a sua expansão.
O governo ruandês prevê a criação de um conselho nacional do leite, responsável por regular a cadeia de valor do leite, segundo o jornal local The New Times, citando Jean Claude Ndorimana, Diretor-Geral do Desenvolvimento de Recursos Animais do Ministério da Agricultura.
De acordo com o responsável, este novo órgão terá como missão enfrentar os desafios persistentes do setor, incluindo os elevados custos de produção, os baixos rendimentos dos produtores e a fraca coordenação entre os atores. «Um conselho do leite ajuda a supervisionar toda a cadeia de valor. Noutros países, estas instituições são fortes e desempenham um papel chave na regulação do setor», afirmou.
A criação de um órgão regulador pode, de forma geral, contribuir para melhorar a estruturação do setor leiteiro e facilitar o cumprimento das metas de crescimento do governo.
No âmbito da 5.ª fase do seu Plano Estratégico para a Transformação da Agricultura (PSTA 5), Kigali pretende elevar a produção nacional de leite para 1,32 milhões de toneladas até 2029. Segundo o relatório anual do Ministério da Agricultura publicado a 31 de dezembro de 2025, a produção ruandesa de leite cresceu 29,3%, passando de 891.326 toneladas em 2021 para 1,15 milhões de toneladas em 2025.
Por outro lado, o Ruanda ainda é um pequeno produtor em comparação com os principais produtores do Leste Africano, onde o setor é mais estruturado e regulado. Em 2024, a produção de leite fresco no Kenya foi estimada em 5,3 milhões de toneladas, enquanto no Uganda a produção local atingiu 5,4 milhões de toneladas. Logo atrás, a Tanzania, outro ator relevante da região, registou 4 milhões de toneladas nesse ano.
Nestes três países, a presença de órgãos reguladores contribuiu para estruturar o setor e apoiar o crescimento da produção.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc