Burkina Faso vai importar 710 vacas gestantes do Brasil para modernizar os setores de leite e carne.
No Burkina Faso, o setor pecuário contribui com cerca de 12% para o PIB e envolve aproximadamente 72% da população. O governo, que pretende aumentar a produção de carne e leite, aposta na melhoria genética para reforçar a produtividade do rebanho nacional.
O Burkina Faso prepara-se para importar 710 vacas gestantes do Brasil, destinadas aos promotores de explorações pecuárias, no âmbito de uma estratégia global para modernizar as cadeias de leite e carne. O anúncio foi feito num comunicado publicado no sábado, 24 de janeiro, pelo Ministério da Agricultura, Recursos Animais e Pesca.
Esta operação de compra surge depois de, em junho de 2025, o Centro de Promoção da Avicultura e Multiplicação de Animais de Alto Desempenho (CPAMAP) ter iniciado negociações com o Instituto Daniel Franco (IDF), reconhecido no Brasil pela sua experiência em seleção animal e pecuária sustentável, visando reforçar capacidades em melhoria genética do gado.
Especificamente, a aquisição abrangerá as raças bovinas Guzerá, Gir, Holstein e Nelore. “As raças leiteiras apresentam produções médias que variam entre 15 e 40 litros de leite por dia. Quanto à raça Nelore, exclusivamente destinada à produção de carne, pode atingir um peso de 1.100 kg aos cinco anos de idade”, destacou o Ministério da Agricultura.
Em comparação, a produção de leite por vaca das raças locais no Burkina Faso é avaliada entre 0,5 e 1,3 litro por dia. Segundo as autoridades, o objetivo de importar vacas com alto potencial genético é difundir progressivamente estas linhagens entre os criadores locais, para aumentar a produtividade do rebanho nacional e reforçar a segurança alimentar.
“O Brasil tem experiência em criação de raças de alto desempenho e também apresenta condições climáticas semelhantes às do Burkina Faso. Pensámos que os animais provenientes desse país se adaptariam melhor”, declarou Ardiouma Sirima, diretor-geral do CPAMAP.
Melhoria genética para apoiar o desenvolvimento industrial
A melhoria da produtividade do rebanho através da genética é estratégica, já que o governo pretende criar um ambiente favorável ao desenvolvimento industrial das cadeias de leite e carne.
Desde 2025, Ouagadougou expressa a vontade política de reduzir a dependência das importações de produtos lácteos. Este objetivo concretizou-se com a inauguração, em março, da empresa pública Faso Kosam, responsável pela organização do fornecimento de matérias-primas, transformação e distribuição de leite e derivados.
As autoridades apostam que a operacionalização da Faso Kosam permitirá satisfazer pelo menos metade das necessidades de consumo de produtos lácteos do país até 2030. Dados da FAO indicam que o Burkina Faso importou, entre 2020 e 2024, em média quase 25.000 toneladas de produtos lácteos (leite em pó, leite concentrado, leite cru, manteiga…), num valor médio de 29 milhões de dólares por ano.
No setor da carne, as ambições passam por posicionar o Burkina Faso no segmento de exportação de carne bovina. Para tal, foi criada em abril a agência pública Faso Abattoir, com a missão de centralizar e profissionalizar a gestão dos matadouros nacionais.
Paralelamente, está previsto um programa que inclui a reabilitação dos matadouros existentes e a criação de novas unidades de transformação, de forma a reforçar capacidades e desenvolver a infraestrutura disponível. Em janeiro de 2026, iniciou-se a construção de um matadouro na cidade de Banfora, com um custo total de cerca de 5 milhões de dólares.
Em 2023, o rebanho do Burkina Faso contava com cerca de 71 milhões de animais, dos quais 49,5% eram aves, 16,1% ovinos, 15,3% caprinos e 14% bovinos, segundo o INSD.













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