No Marrocos, a cerealicultura ocupa cerca de 70% das áreas cultivadas. Embora este setor tenha sido um dos mais afetados pela seca nos últimos anos, parece ganhar novo impulso em 2026, com perspetivas promissoras.
A produção de cereais no Marrocos está prevista para ultrapassar 8 milhões de toneladas ao final da campanha 2025/2026, segundo as últimas estimativas do setor, divulgadas no Orçamento Económico Previsional (BEP) publicado pelo Alto Comissariado do Plano a 19 de janeiro.
Se esta previsão se concretizar, representará um aumento de quase 80% em relação à produção estimada para 2024/2025 (4,4 milhões de toneladas) e constituirá a produção anual de cereais mais elevada no país desde 2020/2021, quando a produção atingiu 10,3 milhões de toneladas.
Evolução da produção de cereais desde 2014/2015
Para justificar esta previsão otimista, as autoridades destacam condições climáticas favoráveis aos agricultores em 2026. «O arranque da campanha agrícola 2025/2026 foi marcado por um défice pluviométrico significativo. No entanto, as chuvas abundantes e bem distribuídas registadas a partir do final de novembro permitiram recuperar este atraso, antevendo-se uma campanha agrícola mais promissora. Além disso, estas condições climáticas deverão contribuir para reconstituir os reservatórios das barragens e alimentar os aquíferos», sublinha o BEP.
Este anúncio surge poucos dias depois de o governo marroquino ter proclamado, a 12 de janeiro, o fim de um ciclo de seca prolongado que afetava o país desde 2019. Segundo dados do Ministério do Equipamento e da Água, as precipitações registadas entre 1 de setembro de 2025 e 20 de janeiro de 2026 mais que duplicaram em relação ao mesmo período do ano anterior e foram 24% superiores à média anual normal, calculada entre 1990 e 2020.
Embora as previsões de colheita para 2025/2026 sejam promissoras, continuam ainda distantes do recorde histórico de 11,5 milhões de toneladas registado na campanha de 2014/2015. De qualquer forma, a perspetiva de uma boa colheita poderá reduzir a dependência das importações na próxima campanha de comercialização.
Recorde-se que os cereais — em particular o trigo, o milho e a cevada — constituem a principal rubrica de despesas nas importações alimentares do Marrocos. No reino chérife, a aquisição destes cereais totalizou cerca de 27 mil milhões de dirhams (2,9 mil milhões de dólares) em 2024, segundo o Office des Changes, representando 29% da fatura total das importações alimentares do país nesse ano.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc