O arroz é o segundo cereal mais consumido na África Subsaariana, depois do milho. A crescente procura e a fraqueza das cadeias locais mantêm o nível das importações elevado.
Na África Subsaariana, o mercado de consumo de arroz continua dinâmico, segundo a última nota do Observatório de Estatísticas Internacionais sobre Arroz (Osiriz). Publicado em meados de janeiro, o documento estima em 22,3 milhões de toneladas as importações do cereal nesta região em 2025, um aumento de 13,7% em relação ao ano anterior (19,6 milhões de toneladas). Este crescimento deve-se, entre outros fatores, à oferta mundial abundante, que impulsionou o abastecimento de vários países.
Detalhando, a Nigéria registou um volume de compras estimado em 3,4 milhões de toneladas, contra 2,9 milhões de toneladas no ano anterior. Na Costa do Marfim, a tendência também é de alta, com uma estimativa de 2,5 milhões de toneladas, representando um crescimento de 19% ano a ano. No Senegal, as importações aumentaram cerca de 200 mil toneladas, atingindo 1,9 milhão de toneladas. No total, este “Top 3” representa aproximadamente 35% do abastecimento externo de arroz da África Subsaariana.
2026, ano de continuidade?
Para este ano, a publicação especializada estima que «os mercados africanos serão mais uma vez dos principais motores da procura mundial de arroz». A região é, de facto, estratégica para muitos exportadores, representando um terço das importações globais. Beneficiou do afrouxamento da política comercial da Índia, que abriu as exportações no último trimestre de 2024, aumentando a concorrência com outros fornecedores asiáticos e pressionando os preços para baixo ao longo de mais de um ano.
Embora em dezembro de 2025 os preços tenham registado uma alta média de 6% devido ao aumento da procura no Sudeste Asiático e na China, a Osiriz salienta que no início de janeiro de 2026 os preços mundiais estavam estáveis, tendendo até a recuar. «Os compradores internacionais esperam novas quedas de preços antes de regressar ao mercado. A sensação de excesso de oferta e de desaceleração da procura de importações pesa no mercado global. Por isso, três tendências merecem atenção nos próximos meses: a evolução da produção mundial, em alta pelo terceiro ano consecutivo; a recomposição do comércio mundial, com o regresso da Índia como força no mercado de exportação; e o nível historicamente elevado de stocks, representando quase 40% do consumo mundial», afirma o relatório.
Estas perspetivas coincidem com as últimas tendências de mercado relatadas pela consultora S&P Global Platts, em 12 de janeiro. Segundo a empresa, o preço do arroz branco indiano com 5% de grãos partidos era de 347 USD por tonelada FOB (free on board) a 12 de janeiro, uma queda de 3 USD em relação ao mês anterior. Este preço torna a Índia o fornecedor asiático mais competitivo, à frente da Tailândia (370 USD), Vietname (353 USD) e Paquistão (384 USD). Segundo dados da consultora, o país mais populoso do mundo poderá exportar 24 milhões de toneladas de arroz até ao fim da temporada 2025/2026, em setembro, ou seja, 5,2% a mais do que na temporada anterior.
«Atualmente, a Índia dispõe de stocks muito elevados, estimados em cerca de 57 milhões de toneladas no início de janeiro, aos quais se somarão novos volumes provenientes de compras públicas ainda em curso. A médio prazo, estas disponibilidades terão de ser escoadas no mercado, de uma forma ou de outra. As perspetivas de uma colheita rabi [culturas semeadas no inverno] particularmente abundante deverão aumentar a pressão sobre a oferta, com uma possível queda de preços da ordem de 15 a 20 USD por tonelada a partir de meados/fim de fevereiro, ou no segundo trimestre», estima Nitin Gupta, diretor-adjunto da Olam Agri para a Índia, numa entrevista à Platts.
Espoir Olodo













Marrakech. Maroc