Desde 2023, a produção de alimentos para animais em África tem seguido uma dinâmica positiva. Com a intensificação dos métodos de produção e a procura por proteínas animais, todos os indicadores estão em alta.
Em 2025, a indústria africana de alimentação animal registou o maior crescimento mundial. Segundo o relatório «Agri-Food Outlook» da empresa norte-americana Alltech, publicado a 21 de abril de 2026, o continente produziu 64,2 milhões de toneladas de rações animais no ano transato, um volume em crescimento de 11,5% face a 2024, contra apenas 2,9% da média mundial. Trata-se do segundo ano consecutivo em que a região regista o maior crescimento a nível global.
A aquacultura lidera o crescimento
Embora estivesse na parte inferior do ranking em 2024, o segmento da produção para aquacultura foi o que registou a maior melhoria em toda a indústria africana. Segundo a consultora, a produção africana aumentou 27,5%, atingindo 2,1 milhões de toneladas no período, contra cerca de 4,7% a nível mundial.
Este desempenho deve-se sobretudo aos bons resultados do Egito, onde os volumes cresceram 36%, apesar de «problemas de concorrência pela água». O país do Norte de África é o maior produtor de aquacultura do continente e o terceiro maior fornecedor mundial de tilápia, atrás da China e da Indonésia.
Alimentos para vacas leiteiras em segundo lugar
O segmento de alimentos para vacas leiteiras ocupa o segundo lugar. O volume produzido cresceu 13,5%, atingindo 10 milhões de toneladas no último ano. Este aumento confirma a dinâmica das explorações leiteiras, que adotam cada vez mais modelos intensivos, aumentando a dependência de rações formuladas e, consequentemente, o consumo de alimentos compostos.
«Na África do Sul, a melhoria das condições económicas e a redução dos custos das matérias-primas sustentaram a procura por alimentos para animais, embora a febre aftosa continue a ser um risco. Na África Oriental e Austral, o aumento do uso de alimentos compostos por vaca e a progressiva formalização das cadeias de abastecimento aumentaram os volumes totais», refere o relatório.
A avicultura continua dominante
O segmento da avicultura continua a ser o maior, representando mais de 45% do total. No ano passado, a produção de alimentos para frangos de carne ultrapassou os 20 milhões de toneladas, registando um crescimento recorde global de 12,7%, impulsionado pelo Egito (+21,9%), o principal produtor africano de frangos.
Ao mesmo tempo, o volume destinado às galinhas poedeiras cresceu 10,5%, atingindo 9,69 milhões de toneladas. Outros segmentos, como suínos e bovinos, também terminaram 2025 com resultados positivos (+8,6% para 2,5 milhões de toneladas e +8,4% para 7 milhões de toneladas, respetivamente).
Quais perspetivas para 2026?
Embora 2025 tenha sido globalmente favorável, os autores indicam que está em curso uma mudança de dinâmica em toda a indústria mundial.
«A era do crescimento previsível e linear do setor agroalimentar está a chegar ao fim – e a indústria enfrenta uma convergência de obstáculos estruturais, ambientais e económicos […]. A capacidade de fornecer proteínas de forma rentável está a ser posta à prova por fenómenos meteorológicos extremos, pela rutura das rotas comerciais geopolíticas, por ameaças biológicas persistentes e pelo aumento do custo do capital», explicam.
Perante estes desafios, o estudo considera que, em África e no resto do mundo, o desempenho em 2026 dependerá da capacidade de gerir riscos, adaptar formulações, otimizar operações e manter a resiliência.
Espoir Olodo













Londres - Royaume-Uni - Sommet réunissant l'écosystème tech africain et les investisseurs internationaux à Londres.