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As mulheres rurais, as arquitetas desconhecidas do futuro africano (Tribuna)

As mulheres rurais, as arquitetas desconhecidas do futuro africano (Tribuna)
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2025

Na África, as mulheres rurais, apesar de serem o coração pulsante da economia rural e as verdadeiras arquitetas de um crescimento abrangente, ainda são privadas do acesso igualitário a recursos, finanças e contatos.

 A desigualdade de gênero custa à África Subsaariana cerca de 95 bilhões de dólares por ano em produtividade perdida.

Desde 2007, a cada 15 de outubro, o Dia Internacional das Mulheres Rurais nos lembra de uma verdade fundamental, muitas vezes esquecida: o futuro econômico e social da África também é decidido no campo. Nos vilarejos, milhões de mulheres cultivam a terra, alimentam suas famílias, movimentam os mercados e reinventam as solidariedades locais. Artesãs discretas da soberania alimentar, ainda estão ausentes das grandes narrativas sobre o futuro do continente. Sem o devido acesso aos recursos, financiamento e contatos, estas vidas continuam invisíveis, mesmo sendo o coração pulsante da economia rural e as verdadeiras arquitetas de um crescimento inclusivo. Se nada mudar, o futuro do continente se moverá cada vez mais para longe de suas promessas de inclusão e prosperidade. O futuro da África não será traçado sem estas mulheres: será desenhado com elas, e graças a elas.

O custo econômico da desigualdade de gênero

Os números são irrefutáveis. A desigualdade de gênero custa à África Subsaariana cerca de 95 bilhões de dólares por ano em produtividade perdida. Nas últimas duas décadas, a contribuição das mulheres jovens para o PIB diminuiu de 18% para 11%, um indício de um potencial imenso que está sendo negligenciado. Menos de 15% delas possuem terras, mesmo representando entre 60 a 80% da força de trabalho agrícola do continente e produzindo até 80% dos alimentos. As jovens agricultoras ainda enfrentam um acesso limitado ao treinamento, crédito, insumos, instalações de irrigação e mercados. Estes obstáculos sistêmicos limitam o seu potencial - e, com ele, o de todo o continente - resultando em menor produção, oportunidades perdidas e crescimento sufocado.

O diagnóstico é claro: a desigualdade tem um custo. A Agenda 2063 da União Africana lembra nos que a emancipação das mulheres é uma condição sine qua non para combater a pobreza e a fome. As projeções estimam que investir no potencial econômico das mulheres poderia gerar um acréscimo de 287 bilhões de dólares no PIB até 2030 e criar 23 milhões de empregos. No setor agrícola, garantir às mulheres um acesso equitativo a recursos como a terra, crédito, ou formação pode fazer a produção aumentar de 20 a 30%, suficiente para alimentar até 150 milhões de pessoas a mais.

Inspirando ação coletiva

Longe de ser uma utopia, essa transformação já está acontecendo no terreno. Desde 2023, no Senegal, mais de 5.500 mulheres rurais jovens ingressaram nos círculos de negócios da Batonga. Apoiados pela fundação homônima e com o suporte da Fundação Mastercard, esses círculos fortalecem a autonomia das mulheres mais isoladas e lhes dão os meios para se tornarem agentes de mudança em suas comunidades. Nesses espaços de solidariedade, formação e liderança, elas adquirem as ferramentas de sua autonomia (educação financeira, mentoria, contatos) e se tornam motores de mudança, inclusive nas áreas mais remotas.

Porque dinheiro, por si só, não é suficiente. É necessário um financiamento inteligente, respaldado por um ecossistema completo que leva em consideração as realidades concretas que as mulheres enfrentam: falta de garantia de terra, mobilidade reduzida, peso das responsabilidades domésticas. Na Fundação Mastercard, em parceria com a Fundação Batonga, colocamos essas realidades no centro de nossa abordagem, coconstruindo soluções adaptadas com as próprias mulheres.

A emancipação das mulheres rurais não é apenas uma exigência de justiça social: é uma escolha estratégica para a África que abre o caminho para a soberania alimentar, redução da pobreza e transformação econômica. Isso exige políticas públicas ousadas, um maior envolvimento do setor privado e programas ancorados em comunidades locais.

O investimento com foco no gênero ("gender lens investing") vai além do âmbito filantrópico. Trata-se da nova fronteira de um crescimento sustentável e compartilhado. Apostar nas empreendedoras, consumidoras e líderes que são as jovens mulheres africanas é uma aposta vencedora. A jornada delas não é apenas uma história de resiliência: é uma promessa de sucesso coletivo.

No dia 15 de outubro, o Dia Internacional das Mulheres Rurais nos lembrou de uma evidência: além dos tributos, reconheçamos as mulheres rurais como o que elas realmente são: as arquitetas do futuro econômico da África. Seu sucesso será o sucesso de todo o continente.

Por Esther Dassanou, Diretora de Gênero da Fundação Mastercard, e Codou Diaw, Diretora Executiva da Fundação Batonga

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