O cravinho-da-índia figura entre as principais especiarias comercializadas em todo o mundo, a par do gengibre, da pimenta e da canela. Já líder em África na fileira do gengibre, a Nigéria ambiciona agora tornar-se um ator dominante no cravinho-da-índia no continente.
Na Nigéria, a primeira campanha oficial de cultivo de cravinho-da-índia à escala nacional está prevista para ser lançada durante a época das chuvas de 2026, que tradicionalmente começa em abril. A informação foi revelada por Abdullahi Shuaibu, coordenador nacional da Associação dos Produtores, Transformadores e Distribuidores de Cravinho-da-Índia do país, no domingo, 25 de janeiro, em Zaria, no Estado de Kaduna.
Segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais, esta nova campanha agrícola mobilizará um total de 74 000 agricultores distribuídos pelos 36 Estados e pelo Território da Capital Federal (FCT). Está previsto que cada agricultor receba sementes melhoradas e insumos para cultivar 0,5 hectare.
Embora, por enquanto, as previsões de colheita ainda não sejam conhecidas, as ambições apresentadas pela associação de produtores através de um cultivo em larga escala são claras. Trata-se de responder à procura interna, substituindo as importações, e posicionar-se na exportação com o eventual excedente de produção. «A iniciativa foi concebida para fazer da Nigéria o segundo país africano, depois da Tanzânia, a produzir cravinho-da-índia à escala comercial», declarou o senhor Shuaibu.
Os dados compilados na plataforma Trade Map mostram, por exemplo, que a Nigéria importou, em média, 1 184 toneladas de cravinho-da-índia por ano entre 2020 e 2024, com um pico de 3 886 toneladas registado em 2021. Paralelamente, a fatura das suas importações ascendeu, em média, a 1 milhão de dólares por ano no mesmo período, com um pico de 2,4 milhões de dólares, igualmente em 2021.
Além disso, a ambição de se posicionar nas exportações sugere também a vontade da fileira nigeriana de conquistar quotas num mercado internacional cuja procura está em forte crescimento, impulsionada pelo setor do tabaco kretek da Indonésia e por uma adoção mais ampla na conservação alimentar, nos cuidados pessoais e na descoberta de medicamentos.
Segundo a consultora indiana Mordor Intelligence, o tamanho deste mercado é estimado em 5,7 mil milhões de dólares em 2025 e deverá crescer a uma taxa média anual de 5,3 %, atingindo 7,2 mil milhões de dólares até 2030. Os próximos desenvolvimentos dirão se a Nigéria conseguirá, à semelhança do gengibre, estruturar uma fileira de cravinho-da-índia robusta e competitiva.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc