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Após 2025, a queda dos preços do açúcar deverá continuar este ano

Após 2025, a queda dos preços do açúcar deverá continuar este ano
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2026

O açúcar é uma das principais matérias-primas agrícolas cujos preços mais caíram nas grandes praças bolsistas em 2025, a par do cacau ou do arroz, e as perspetivas para 2026 sugerem que esta tendência deverá manter-se.

As cotações do açúcar bruto encerraram a 15,01 cêntimos por libra (331 dólares/tonelada) no dia 31 de dezembro passado, na Intercontinental Exchange (ICE) de Nova Iorque, contra 18,08 cêntimos por libra (398,5 dólares/tonelada) a 2 de janeiro de 2025, registando assim uma queda de 16,9% ao longo dos 12 meses do ano.

Evolução dos preços do açúcar na ICE

Esta descida está em linha com as previsões formuladas em outubro passado pelo Banco Mundial no seu relatório Commodity Markets Outlook, que analisa os preços mundiais das matérias-primas e as suas perspetivas.

Para explicar esta evolução, a instituição financeira destacou a perspetiva de um mercado mundial excedentário para a campanha 2025/2026. As projeções apresentadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no seu mais recente relatório sobre o mercado mundial do açúcar, publicado em dezembro passado, confirmam esta hipótese.

De acordo com o organismo americano, a produção mundial de açúcar, impulsionada principalmente pelo Brasil e pela Índia, deverá atingir 189,25 milhões de toneladas em 2025/2026, enquanto as necessidades de consumo à escala global são estimadas em 178,11 milhões de toneladas.

As projeções da FAO apontam para um excedente mais reduzido, de 5,1 milhões de toneladas, previsto para o mesmo período. No seu relatório sobre as perspetivas alimentares, publicado em novembro de 2025, a organização das Nações Unidas estimava, com efeito, uma produção mundial de 185,3 milhões de toneladas.

Perspetivas para o ano de 2026

Desde o início do novo ano, as cotações do açúcar na ICE têm encerrado a níveis inferiores aos 331 dólares por tonelada com que o ano de 2025 terminou. Embora ainda seja cedo para falar numa continuação da dinâmica descendente, importa notar que o Banco Mundial já antecipa esse cenário. No seu Commodity Markets Outlook, a instituição financeira previa, nomeadamente, uma descida global dos preços médios do açúcar de 3% ao longo de todo o novo ano.

Por outro lado, o USDA prevê que os stocks mundiais de açúcar aumentem 5% em termos anuais, para 44,4 milhões de toneladas em 2025/2026. Uma melhoria dos stocks globais reforça a ideia de uma maior disponibilidade de açúcar e, consequentemente, de uma pressão em baixa sobre os preços internacionais, salvo a ocorrência de um evento climático ou político de grande dimensão que reduza a produção ou estimule a procura.

Em todo o caso, a descida generalizada dos preços do açúcar no mercado internacional deverá aliviar a fatura das despesas alimentares de muitos países africanos. Segundo a FAO, as importações africanas de açúcar deverão crescer 4,5%, atingindo 18,5 milhões de toneladas em 2025/2026, consolidando a posição do continente como a segunda maior região importadora do mundo, a seguir à Ásia.

A Argélia, a Nigéria, Marrocos, o Egito e o Sudão são os principais destinos do açúcar importado em África. Em conjunto, estes cinco países representam cerca de 46% das compras anuais desta mercadoria.

Stéphanas Assocle

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