A Costa do Marfim é o 3.º maior produtor de mandioca na África Ocidental, atrás da Nigéria e do Gana. O setor, que pretende reforçar a sua capacidade de produção, está a reorganizar-se para garantir uma melhor coordenação.
Na Costa do Marfim, a Interprofissão do setor da Mandioca (OIA manioc) foi oficialmente lançada a 27 de janeiro, durante uma mesa-redonda em Abidjan que reuniu autoridades públicas, parceiros técnicos e financeiros, instituições financeiras, setor privado e atores da cadeia (produtores, transformadores e comerciantes). É o que indica um comunicado publicado no site do governo.
Este anúncio marca a conclusão de um processo iniciado em novembro de 2025. Segundo Yedoh Kévin Nomel, presidente do conselho de administração da interprofissão, o lançamento da OIA manioc anuncia a transição de um setor fragmentado para um setor organizado e ambicioso.
«Nos próximos três anos, a OIA manioc trabalhará para consolidar a sua governação e estabelecer um mapeamento preciso do setor, implementar mecanismos de recolha de dados e rastreabilidade, estruturar mecanismos de financiamento adaptados aos diferentes elos da cadeia e aplicar padrões de qualidade harmonizados e contratos de fornecimento seguros», declarou o responsável.
Esta vontade de estruturar melhor o setor surge num contexto em que Abidjan afirma, desde 2025, a intenção política de reforçar a cadeia de valor da mandioca no país. Assim, o governo anunciou em maio de 2025 a obtenção de dois empréstimos, no valor total de 45,9 mil milhões de francos CFA (83,7 milhões de dólares), junto do Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID), para financiar a implementação do Projeto de Desenvolvimento da Cadeia de Valor da Mandioca.
O referido projeto prevê, por exemplo, a valorização de 40 000 hectares de terras agrícolas, a criação de 70 hectares de perímetros irrigados destinados à multiplicação de estacas de mandioca para apoiar a produção, bem como a construção de novas unidades de transformação. São iniciativas destinadas a aumentar a produção local do tubérculo e criar oportunidades para os agricultores.
Segundo dados oficiais, a colheita de mandioca na Costa do Marfim aumentou 31,25 % em cinco anos, passando de 6,4 milhões de toneladas em 2020 para 8,4 milhões de toneladas em 2024. Apesar deste crescimento, o setor marfinense ainda fica aquém do desempenho da Nigéria e do Gana. De acordo com dados da FAO, o país mais populoso de África produz mais de 60 milhões de toneladas do tubérculo por ano, enquanto a colheita ganesa atinge 25 milhões de toneladas.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc