Ao apostar nos seus portos secundários, Angola pretende agilizar as trocas na sua faixa norte, para melhor captar os fluxos regionais. A atribuição de novas concessões inscreve-se nesta estratégia de reforço do estatuto de hub logístico em África Central.
Em Angola, a exploração dos terminais de passageiros e de carga do porto marítimo de Cabinda e do porto fluvial do Soyo, na província do Zaire, foi atribuída por um período de 20 anos à Sociedade de Gestão de Terminais (SOGESTER), pertencente à APM Terminals e a um fundo de gestão angolano. Segundo as autoridades, esta concessão visa reforçar a eficiência logística marítima no norte do país, com impactos esperados como a redução dos custos de transporte, o aumento do tráfego de mercadorias e de passageiros, e a melhoria da dinâmica do comércio transfronteiriço.
O contrato de concessão foi assinado na segunda-feira, 27 de abril, em Luanda, na sequência do concurso internacional lançado em março de 2025 para a exploração destas infraestruturas.
Ligados a Luanda, bem como a portos de países vizinhos, nomeadamente a República Democrática do Congo e a República do Congo, Cabinda e Soyo constituem plataformas estratégicas para o comércio marítimo e fluvial na região norte de Angola. Estes asseguram a ligação entre várias cidades, populações e empresas de setores diversos, incluindo a indústria petrolífera.
A atribuição deste contrato insere-se na estratégia do governo angolano de modernizar e reforçar a competitividade do setor portuário, através de uma gestão mais eficiente das infraestruturas e da consolidação do posicionamento logístico regional do país. Idealmente localizado entre o oceano Atlântico e dois grandes exportadores mineiros do continente, a RDC e a Zâmbia, Angola procura tirar partido desta vantagem geográfica para acelerar a diversificação da sua economia, ainda fortemente dependente das receitas petrolíferas.
No setor dos transportes e da logística, identificado como um dos principais pilares desta política, o país tem multiplicado os investimentos em portos principais e secundários para apoiar as suas ambições de aumento do tráfego. Em paralelo com os projetos portuários, vários projetos rodoviários e ferroviários também estão previstos para estruturar uma rede logística integrada.
Henoc Dossa













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