No Senegal, os óleos alimentares constituem o segundo maior item de despesa nas importações de produtos alimentares, a seguir aos cereais. Com o objetivo de reduzir esta dependência externa, o Governo incentiva os investimentos do setor privado para reforçar a produção local.
No Senegal, o Presidente Bassirou Diomaye Faye inaugurou, no passado dia 27 de janeiro, uma refinaria de óleos vegetais alimentares instalada numa área de 23 hectares na zona portuária de Sendou, no distrito de Rufisque. Com um investimento total de 60 mil milhões de francos CFA (109,5 milhões de dólares), esta nova unidade oleaginosa é gerida pela empresa agroalimentar Mavamar Industries SA.
A refinaria dispõe de uma capacidade de refinação de 600 toneladas de óleo vegetal por dia, o que corresponde a uma produção anual projetada de cerca de 180 000 toneladas em regime de funcionamento contínuo. Segundo as autoridades, este investimento deverá contribuir para o reforço da segurança alimentar e para a redução da dependência das importações.
«A refinaria inscreve-se plenamente na visão de soberania económica e de autossuficiência alimentar defendida pelo Chefe de Estado. Permitirá a transformação local de óleos brutos [nomeadamente provenientes do amendoim, da palma e de outras oleaginosas] em produtos acabados de qualidade destinados ao mercado nacional e sub-regional», lê-se num comunicado publicado no site do Governo.
O desafio para a Mavamar será conquistar quota de mercado no setor dos óleos alimentares, substituindo progressivamente parte das dispendiosas importações alimentares. Segundo dados compilados pela Agência Nacional de Estatística (ANSD), o Senegal importou, em média, 229 059 toneladas de óleos e gorduras entre 2020 e 2024. No mesmo período, a fatura média anual dessas importações ascendeu a cerca de 124 mil milhões de francos CFA (225,8 milhões de dólares).
Um impulso à transformação do amendoim
A entrada em funcionamento da refinaria da Mavamar em Sendou constitui um apoio oportuno à transformação local do amendoim no Senegal, num contexto de fortes tensões em torno da campanha arachideira 2025/2026. Enquanto a produção nacional é esperada em mais de 900 000 toneladas, as capacidades de absorção da fileira, nomeadamente no segmento da transformação, continuam a suscitar preocupações.
No passado dia 5 de janeiro, o Governo instruiu a Sociedade Nacional de Comercialização de Oleaginosas do Senegal (SONACOS), principal produtor de óleos do país, a quase duplicar a sua capacidade de compra de amendoim, elevando-a para 450 000 toneladas face a um objetivo inicial de 250 000 toneladas. Uma ambição que gera ceticismo entre as organizações de produtores, sobretudo porque a empresa pública adquiriu apenas cerca de 62 000 toneladas de amendoim em dois meses desde o início da campanha. Neste contexto, os produtores receiam um congestionamento do mercado e uma pressão em baixa sobre os preços, apesar da fixação de um preço mínimo de 305 francos CFA por quilograma.
«Prevemos uma extensão da nossa capacidade de trituração de sementes de amendoim já no primeiro ano», declarou Souleymane Ndoye, diretor-geral da Mavamar, em declarações citadas pela Agência de Imprensa Senegalesa (APS). Embora esta nova unidade, por si só, não seja suficiente para absorver os excedentes esperados, contribui ainda assim para diversificar as saídas industriais e reforçar progressivamente a transformação local do amendoim.
Stéphanas Assocle













Marrakech. Maroc