A Guiné é um importador líquido de produtos alimentares, como a maioria dos países de África. A vontade de reduzir a dependência dessas importações abre perspectivas de investimento para o setor privado, principalmente nos setores mais vulneráveis, como a avicultura.
O conglomerado guineense, Société Nouvelle de Commerce (Sonoco), acabou de negociar a obtenção de um empréstimo de 20 milhões de dólares junto à Sociedade Financeira Internacional (IFC) para investir na avicultura. Num comunicado publicado em 26 de março, a instituição financeira indica que este montante será destinado à FERMAV Industries, filial recentemente criada pelo Grupo Sonoco para a implementação de um projeto avícola integrado.
No âmbito deste projeto, prevê-se que a empresa realize atividades que cubram toda a cadeia de valor, nomeadamente a produção de ração para aves, a criação de galinhas, a transformação e a distribuição. Para já, os detalhes relativos ao local e à data de início das obras ainda não são conhecidos.
«Este projeto permitirá criar cerca de 400 empregos diretos e quase 3.500 empregos indiretos nos setores da criação, transformação, logística e distribuição», destaca o comunicado.
Com este projeto, o Grupo Sonoco terá a oportunidade de diversificar ainda mais a sua atuação na indústria agroalimentar na Guiné. No país, já se distingue há vários anos com atividades nos segmentos de aditivos alimentares, bebidas e moagem, através de outras duas filiais, Agro Food Industrie e Les Moulins d’Afrique (LMA).
Mais amplamente, este novo investimento, caso se concretize, permitirá reforçar as capacidades da indústria avícola local, ainda incipiente. Segundo dados oficiais, a avicultura na Guiné é dominada por sistemas de criação tradicionais e tem dificuldades em suprir as necessidades do mercado doméstico em carne de frango e seus derivados.
No país da África Ocidental, as importações de carne de frango aumentaram 63,25 % em cinco anos, passando de 49.735 toneladas em 2020 para 81.193 toneladas em 2024, segundo dados compilados pela FAO. Paralelamente, a fatura associada a essas compras mais que duplicou, atingindo 105,2 milhões de dólares no mesmo período. Isto deve-se, em grande parte, ao facto de a produção local ter dificuldades em expandir-se.
Segundo a organização das Nações Unidas, a Guiné produziu em média 13.806 toneladas entre 2020 e 2024, nunca conseguindo ultrapassar a marca de 15.000 toneladas nesse período. Neste contexto, a perspetiva de substituir as importações representa uma oportunidade para os atores privados interessados em investir na indústria avícola, desde que o governo estabeleça um quadro favorável que permita aumentar a competitividade face aos produtos importados, geralmente mais baratos.
Stéphanas Assocle













Bamako