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Nigéria: os produtos petrolíferos refinados continuam a pesar nas importações provenientes do Reino Unido

Nigéria: os produtos petrolíferos refinados continuam a pesar nas importações provenientes do Reino Unido
Quarta-feira, 3 de Junho de 2026

A Nigéria procura reduzir a sua dependência das importações de combustíveis através do desenvolvimento da refinação local. Contudo, apesar dos progressos da refinaria Dangote, o país continua a ser um grande importador de produtos petrolíferos refinados.

A Nigéria importou, em 2025, produtos petrolíferos refinados no valor de 1,1 mil milhões de libras esterlinas (cerca de 1,4 mil milhões de dólares) provenientes do Reino Unido. É o que revela a ficha comercial publicada pelo Departamento Britânico do Comércio e Investimento, citada pelo portal Nairametrics no domingo, 31 de maio.

Segundo o documento, o petróleo refinado representa, por si só, 60,5% de todas as mercadorias exportadas pelo Reino Unido para a Nigéria. Este número evidencia o peso do setor petrolífero nas trocas comerciais entre os dois países, numa altura em que o valor destas exportações aumentou 9,4% em relação ao ano anterior.

O petróleo refinado gera mais receitas do que os quatro principais produtos seguintes juntos: produtos de higiene (70,2 milhões de libras, cerca de 89,2 milhões de dólares), têxteis (45,7 milhões de libras, equivalente a 58 milhões de dólares), maquinaria industrial (42,2 milhões de libras, cerca de 53,6 milhões de dólares) e bebidas e tabaco (34,6 milhões de libras, aproximadamente 43,9 milhões de dólares).

Um paradoxo nigeriano em vias de resolução

Embora seja o maior produtor africano de petróleo bruto, a Nigéria importava entre 90% e 95% das suas necessidades de combustíveis antes da entrada em funcionamento da refinaria Dangote, em 2024, segundo dados do Tesouro francês. Em 2023, o país era mesmo o maior importador africano de produtos petrolíferos, com 476 mil barris por dia, de acordo com a Statista.

Devido à insuficiência da sua capacidade de refinação, a Nigéria exportava petróleo bruto e importava combustíveis refinados. Segundo dados do Banco Central da Nigéria (CBN), esta dependência representou, em 2024, uma fatura de importação de combustíveis estimada em cerca de 14 mil milhões de dólares.

Durante muitos anos agravada pelo sistema de subsídios aos combustíveis — abolido em maio de 2023 —, a situação começou a mudar com a entrada em operação da refinaria Dangote. «A desaceleração das importações de gasolina da Nigéria deve-se, em grande parte, ao aumento da capacidade operacional da refinaria Dangote», afirmou, em janeiro de 2025, Samantha Hartke, analista da Vortexa.

O impacto tornou-se ainda mais evidente em 2026. Em fevereiro, a produção local já cobria 92% da procura nacional, segundo dados oficiais. No primeiro trimestre do ano, as importações de combustíveis caíram 60% em termos homólogos, passando de 2,43 mil milhões para 965,5 milhões de litros, segundo o Afrik-Inform.

Batalha pelo mercado interno

Esta transformação desencadeou uma guerra de preços. Em maio de 2026, a refinaria Dangote reduziu o seu preço grossista para 1.200 nairas (cerca de 0,82 dólares) por litro, contra 1.350 nairas (aproximadamente 0,92 dólares) por litro da gasolina importada, segundo o portal Legit.ng.

A disputa estendeu-se também ao plano regulamentar. Conforme noticiado pela Agence Ecofin em março, as autoridades nigerianas suspenderam algumas licenças de importação de combustíveis para favorecer a oferta local. A decisão foi contestada nos tribunais, num contexto de rivalidade entre o Estado e a refinaria Dangote, cujos responsáveis defendem que a sua capacidade de produção é suficiente para satisfazer a procura nacional.

Abdel-Latif Boureima

 

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