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Stocks de petróleo: a Agence internationale de l'énergie receia níveis críticos antes do pico de consumo no verão.

Stocks de petróleo: a Agence internationale de l'énergie receia níveis críticos antes do pico de consumo no verão.
Quinta-feira, 4 de Junho de 2026

A Agência Internacional de Energia (AIE) tem vindo, há várias semanas, a intensificar os alertas sobre o estado dos stocks mundiais de petróleo, enquanto o encerramento do Estreito de Ormuz desde o final de fevereiro continua a fazer sentir os seus efeitos.

Os stocks mundiais de petróleo poderão atingir níveis críticos este verão. Foi este o aviso lançado por Toril Bosoni, diretora da divisão de petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE), durante a conferência S&P Global Energy, em Londres, na terça-feira, 2 de junho.

«Estamos a observar descidas de stocks que continuam este verão, com a possibilidade ou probabilidade de atingirmos níveis críticos ou historicamente baixos mesmo antes do pico da procura de verão», afirmou a responsável da instituição energética internacional, segundo declarações citadas pela Reuters.

Os stocks mundiais caíram mais de 250 milhões de barris entre março e maio de 2026, a um ritmo considerado recorde pela AIE. As reservas estratégicas desceram para cerca de 365 milhões de barris, o nível mais baixo em dois anos, segundo a OilPrice.

O encerramento do Estreito de Ormuz retirou cerca de 10% da oferta mundial desde o final de fevereiro. Os produtores do Golfo perderam cerca de 14 milhões de barris por dia, com perdas acumuladas que ultrapassam 1 mil milhão de barris. A AIE prevê, aliás, uma queda da oferta mundial de petróleo de 3,9 milhões de barris por dia ao longo deste ano.

Uma reabertura de Ormuz que não pode ser rápida

Bosoni apresentou uma estimativa que ilustra a dimensão do problema: mesmo que um acordo de paz fosse alcançado hoje, a reabertura do estreito demoraria entre seis e oito meses, no melhor dos cenários.

Perante esta realidade, uma nova libertação coordenada de stocks pela AIE é possível, mas ainda não está em cima da mesa. Cerca de metade dos 400 milhões de barris libertados em março ainda não chegou ao mercado. Bosoni alertou, contudo, que estas libertações são apenas uma “solução temporária”.

Um fator inesperado de equilíbrio veio da procura. Os preços elevados e a deterioração das perspetivas económicas travaram o consumo. As importações chinesas de crude caíram 6 milhões de barris por dia em maio face a março. Por outro lado, produtores das Américas compensaram parcialmente o défice: Estados Unidos, Argentina, Brasil e Venezuela aumentaram a produção.

A AIE prevê, neste contexto, um aumento da oferta na região de 1,5 milhões de barris por dia em 2026.

Como noticiou a Agence Ecofin no mês passado, Fatih Birol, diretor-geral da AIE, já tinha alertado que os stocks comerciais dispunham apenas de “algumas semanas de reserva”, durante a reunião dos ministros das Finanças do G7 em Paris.

Abdel-Latif Boureima

 

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