Em setembro de 2025, o Estado burquinabê manifestou interesse em aumentar a sua participação atual de 15% na mina de ouro Kiaka. Uma iniciativa que, desde então, tem sido objeto de negociações com a empresa australiana West African Resources, proprietária de 85% do projeto.
A empresa mineira australiana West African Resources Limited (WAF) anunciou, na sexta-feira, 17 de abril, a suspensão da cotação das suas ações na Australian Securities Exchange (ASX), enquanto aguarda uma comunicação relativa à publicação de um decreto pelo governo do Burkina Faso. Este texto diz respeito ao projeto do Estado de aumentar para 40% a sua participação na mina de ouro Kiaka.
Em operação desde junho de 2025, a mina é atualmente detida em 85% pela WAF, contra 15% pelo Estado burquinabê. No âmbito da nova legislação mineira em vigor desde 2024, as autoridades tinham manifestado, desde setembro, a intenção de adquirir uma participação adicional mediante compensação financeira. Esta iniciativa foi recentemente enquadrada por um projeto de decreto que visa uma participação adicional de 25%, o qual deverá agora ser formalizado.
Com efeito, a adoção de um decreto constitui um requisito legal necessário para permitir ao Estado aumentar a sua participação numa mina já em funcionamento. Nesta fase, porém, a operação é ainda considerada “potencial” pela WAF. Nem o estado das negociações entre as partes nem os termos de um eventual acordo foram divulgados.
Para Ouagadougou, a publicação deste decreto marcaria a vontade de concluir este processo, com o objetivo de reforçar a sua posição num dos ativos auríferos mais estratégicos do país.
Em 2026, a WAF prevê uma produção de até 280 000 onças de ouro em Kiaka (cerca de 8,7 toneladas), ou seja, perto de 16% da produção industrial nacional estimada em 52 toneladas em 2025. À espera de mais detalhes, a empresa indicou que poderá publicar um comunicado sobre o assunto antes da retoma da cotação das suas ações na ASX.
Aurel Sèdjro Houenou













Abidjan, Côte d’Ivoire