As soluções descentralizadas de eletrificação deverão desempenhar um papel cada vez mais importante no acesso à eletricidade na África Subsaariana. O seu desenvolvimento continua, contudo, condicionado por grandes necessidades de financiamento.
O veículo de investimento Zafiri dispõe agora de 176 milhões de dólares para apoiar a implementação de soluções descentralizadas de acesso à eletricidade na África Subsaariana. O anúncio foi feito na quarta-feira, 17 de junho, durante o Africa Energy Forum realizado na Cidade do Cabo, na África do Sul.
«O Zafiri tem como objetivo enfrentar um dos obstáculos mais persistentes ao acesso à energia, aumentando os investimentos de capital em empresas especializadas em energias renováveis descentralizadas que abastecem comunidades em toda a África Subsaariana», declarou Ghita Benabderrazik, diretora-geral do departamento de «Finanças Inovadoras» da Fundação Rockefeller.
Rumo a uma meta final de 300 milhões de dólares
Gerido pela empresa Inspired Evolution, o Zafiri conta entre os seus investidores fundadores com a IFC, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), a Fundação Rockefeller, o Trade and Development Bank (TDB), o Nordic Development Fund (NDF), a Fundação MacArthur e o FirstRand. Segundo os seus promotores, mais de 50% dos capitais mobilizados deverão ser direcionados para mini-redes elétricas, energia solar fora da rede e soluções de cozinha limpa.
O Zafiri pretende facilitar novas ligações elétricas para mais de 10 milhões de pessoas até 2030. O veículo ambiciona igualmente atingir uma dimensão de 300 milhões de dólares na sua fase final de captação, prevista para os próximos 12 meses.
Um défice de capitais próprios trava os promotores
O lançamento ocorre num contexto em que as necessidades de financiamento continuam elevadas para as soluções descentralizadas de eletrificação. No seu relatório Financing Electricity Access in Africa, a Agência Internacional da Energia (AIE) indica que a falta de capitais próprios constitui um dos principais obstáculos à expansão dos promotores de mini-redes e de sistemas solares domésticos.
A organização sublinha que estas empresas têm dificuldade em mobilizar financiamentos de longo prazo para apoiar o seu crescimento, sobretudo nas zonas rurais. A AIE considera, assim, o desenvolvimento do «capital paciente» (patient equity), ou seja, investimentos em capitais próprios com horizontes de retorno mais longos, como uma das alavancas mais importantes para avançar rumo ao acesso universal à eletricidade em África até 2035.
Abdoullah Diop













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