Do ouro ao lítio, passando pelo crómio, o Zimbabwe está a desenvolver progressivamente a sua estratégia para controlar melhor e valorizar o seu setor mineiro. Estas dinâmicas estão a criar novos desafios para os intervenientes da indústria e para os seus representantes, entre os quais se destaca a Câmara das Minas.
No Zimbabwe, a Câmara das Minas nomeou, na sexta-feira, 19 de junho, Fungai Makoni (na foto) para a presidência do seu conselho de administração, com um mandato até 2027. A nomeação acontece num contexto em que a organização que representa os operadores industriais do setor mineiro tem de lidar com novas reformas lançadas pelo Estado.
O anúncio foi feito à margem da conferência anual da Câmara das Minas, realizada no final da semana passada. Com mais de 18 anos de experiência na indústria mineira, Fungai Makoni é um contabilista certificado zimbabueano que dirige o produtor de platina Mimosa Mining desde 2013. Assume a presidência do conselho depois de ter ocupado o cargo de segundo vice-presidente da organização. Sucede a John Musekiwa, presidente cessante deste órgão responsável pela orientação estratégica da governação da entidade.
Nas suas novas funções, Makoni terá, nomeadamente, de defender os interesses dos mineiros industriais nos principais dossiers em curso. O setor do lítio surge desde logo como o tema mais sensível, tendo em conta as ambições do Estado de acelerar a transformação local deste metal em produtos de maior valor acrescentado. Esta orientação está a tornar-se mais rigorosa, com Harare a anunciar a suspensão das exportações de concentrado de lítio a partir de 2027. Um prazo que já é considerado demasiado curto por alguns intervenientes do setor, sobretudo num momento em que novas unidades de transformação estão a desenvolver-se no país.
O desafio da transformação local ultrapassa o segmento do lítio e envolve também as operações relacionadas com o crómio. O setor do ouro, principal pilar das exportações mineiras do país, continua igualmente sob forte atenção num contexto de subida dos preços internacionais. Esta dinâmica já levou o executivo a rever este ano o sistema de royalties aplicado às receitas mineiras. A estes temas juntam-se reformas mais abrangentes, nomeadamente o mecanismo que obriga os operadores a receber uma parte das suas receitas em moeda local, o ZiG.
Resta saber como estes diferentes dossiers irão evoluir nos próximos meses e que impulso a nova presidência dará à ação da Câmara das Minas perante estes desafios.
Aurel Sèdjro Houenou













Boipuso Hall, Fairgrounds, Gaborone