Perante uma procura crescente de transporte aéreo e custos energéticos elevados, a África procura assegurar o seu abastecimento em querosene. Neste contexto, as iniciativas locais de refinação suscitam novas expectativas.
A refinaria de petróleo Dangote começou a fornecer diretamente combustível de aviação à Ethiopian Airlines, segundo declarações atribuídas pela imprensa local ao seu diretor-geral, David Bird. Este desenvolvimento, que ocorre num contexto de tensões nos mercados mundiais de combustível, insere-se numa dinâmica mais ampla que visa reforçar a autonomia energética das companhias aéreas africanas.
Estas continuam a importar a maior parte do seu querosene a custos elevados, frequentemente superiores em pelo menos 17 % à média mundial, mesmo antes das recentes tensões nos preços. Segundo a Associação das Companhias Aéreas Africanas (AFRAA), o combustível representa entre 30 % e 40 % dos custos operacionais das transportadoras do continente, contra uma média mundial entre 20 % e 25 %. Esta pressão estrutural pesa fortemente sobre a competitividade da indústria aérea local.
Uma produção largamente excedentária no mercado local
Na Nigéria, os dados do National Bureau of Statistics ilustram a volatilidade do mercado. O país importou 31 mil milhões de nairas (cerca de 22,5 milhões de USD) de combustível de aviação no primeiro trimestre de 2024, uma queda de 87 % face aos 239,18 mil milhões de nairas de importações no quarto trimestre de 2023.
Ao mesmo tempo, a refinaria Dangote apresenta uma capacidade de produção estimada em 24 milhões de litros de combustível de aviação por dia, muito acima da procura doméstica nigeriana, avaliada em cerca de 2,1 milhões de litros diários. Uma grande parte desta produção é, no entanto, enviada para a Europa, segundo a Reuters, onde a procura aumenta com a aproximação da época de verão.
O paradoxo das exportações fora de África
Esta orientação para a exportação contrasta com as tensões observadas no mercado nigeriano. A indústria aérea local chegou recentemente a estar perto de uma paralisação, num contexto de forte subida dos preços do querosene.
Agrupadas na Airlines Operators of Nigeria, as companhias denunciaram um aumento de cerca de 300 % nos preços, que passaram de 900 nairas para 3300 nairas, enquanto a evolução dos preços internacionais era estimada em cerca de 30 %. Esta situação levou as autoridades a impor um teto aos preços no final de abril, o que permitiu aliviar as tensões.
Se as entregas diretas à Ethiopian Airlines são vistas como um sinal positivo e um meio de reduzir as importações — tanto para esta companhia como potencialmente para outras transportadoras africanas no futuro — vários analistas consideram que o seu impacto continuará limitado no curto prazo. Para acompanhar um mercado africano do transporte aéreo cuja taxa de crescimento anual é estimada em 5,7 % até 2034, o continente terá de multiplicar projetos de refinação e distribuição local.
Henoc Dossa













Landmark Centre, île Victoria - Lagos - Nigeria