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Projeto Jambaar: o porto de Dakar aposta na carga não contentorizada para se manter competitivo face a Ndayane

Projeto Jambaar: o porto de Dakar aposta na carga não contentorizada para se manter competitivo face a Ndayane
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2025

Face ao reforço da concorrência portuária na África Ocidental, Dakar opta por uma estratégia menos visível, mas potencialmente impactante. A plataforma senegalesa pretende reforçar as suas posições no segmento da carga geral, reorganizar os fluxos para o interior do país e preparar a chegada de Ndayane, numa lógica de complementaridade e não de substituição.

Enquanto a atenção se concentra cada vez mais no futuro porto de águas profundas de Ndayane, o Porto Autónomo de Dakar (PAD) avança, de forma mais estratégica, com um projeto destinado a consolidar o seu papel na arquitetura portuária senegalesa e regional. Batizado «Jambaar», este programa de modernização do Cais 4, dedicado à carga geral e aos produtos agrícolas a granel, assume-se simultaneamente como uma aposta num segmento menos valorizado do que a carga contentorizada e como uma estratégia de transição antes da entrada em funcionamento do novo porto de Ndayane.

O contrato de concessão, assinado na semana passada por um período de 25 anos com um consórcio que reúne a Conti-Lines Group, a Port of Antwerp-Bruges International, a Ership Grupo e a AIG Marine & Terminal, prevê um investimento de 85 milhões de euros (100 milhões de dólares) para a fase 1 do projeto. O objetivo declarado é modernizar as infraestruturas, reforçar as capacidades de armazenamento e integrar soluções logísticas capazes de melhorar a eficiência operacional de um terminal-chave para a economia senegalesa.

A carga geral, uma alavanca estratégica frequentemente negligenciada

Num contexto em que o desempenho portuário é frequentemente avaliado com base no tráfego contentorizado, o projeto Jambaar posiciona as mercadorias convencionais como igualmente centrais para muitas economias africanas. No caso do Senegal, estes fluxos estão diretamente ligados às cadeias agrícolas, às importações de produtos essenciais e ao abastecimento das regiões do interior.

A modernização do Cais 4 visa, segundo os promotores, reduzir os tempos de manuseamento, melhorar a fiabilidade das operações e assegurar as cadeias logísticas não contentorizadas. Este posicionamento deverá consolidar o estatuto atual de Dakar, considerado, segundo o Banco Mundial, a plataforma portuária mais eficiente da África Subsaariana no mais recente relatório CPPI publicado em setembro passado.

Um projeto portuário pensado para além dos cais

Para além das infraestruturas em Dakar, o projeto prevê a criação de ligações marítimas e fluviais com portos secundários como Kaolack e Ziguinchor, bem como com outras plataformas da África Ocidental. A utilização de barcaças para assegurar parte das expedições para o interior do país constitui um eixo central desta estratégia.

Ao promover a transferência modal do transporte rodoviário para o flúvio-marítimo, o projeto pretende reduzir a pressão sobre os eixos rodoviários, limitar a congestão urbana em Dakar e diminuir os custos logísticos globais. Esta abordagem insere-se numa lógica de desconcentração dos fluxos, ainda pouco desenvolvida nos sistemas portuários da África Ocidental.

Dakar face a Ndayane: uma lógica de complementaridade

Longe de ser contraditório com o desenvolvimento do porto de águas profundas de Ndayane, apoiado pela DP World, o projeto Jambaar é apresentado como um instrumento de complementaridade estratégica. Enquanto Ndayane deverá captar os grandes navios e os fluxos contentorizados de nova geração, Dakar reforça os seus trunfos históricos em segmentos específicos, com elevado valor económico e social.

Ao modernizar os terminais existentes e repensar os corredores para o interior e para os portos secundários, o Senegal procura evitar alguns dos desafios observados noutros países africanos, onde portos históricos foram marginalizados pelo surgimento de novas infraestruturas sem verdadeira integração logística. Em conformidade com as orientações estratégicas do país, consagradas no plano «Visão 2050», estes projetos deverão ser complementados por novos investimentos nos portos secundários, com o objetivo ambicioso de fazer do Senegal um polo central da indústria portuária na África Ocidental.

Henoc Dossa

 

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