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Benim: a aposta nas infraestruturas, motor de uma transformação em dez anos sob Patrice Talon

Benim: a aposta nas infraestruturas, motor de uma transformação em dez anos sob Patrice Talon
Terça-feira, 28 de Abril de 2026

Em dez anos, o Benim transformou profundamente as suas infraestruturas. Impulsionado por investimentos significativos, o país modernizou as suas redes de transporte e as suas plataformas logísticas. No momento da passagem de testemunho, o desafio consiste em traduzir esses ganhos em progresso social sustentável.

Em 2016, quando Patrice Talon chegou ao poder, o Benim apresentava um atraso significativo em matéria de infraestruturas. Sob o seu antecessor, Thomas Boni Yayi (2006–2016), vários projetos tinham sido lançados, nomeadamente nos setores da energia e das estradas, mas a rede permanecia globalmente insuficiente, as cidades pouco estruturadas e o porto de Cotonou enfrentava constrangimentos de competitividade.

Dez anos depois, o panorama mudou. Através dos Programas de Ação do Governo (PAG 2016-2021 e PAG 2021-2026), o Benim mobilizou mais de 9000 mil milhões de FCFA (16 mil milhões de dólares) em investimentos para recuperar o atraso e reposicionar-se na sub-região. Esta dinâmica contribui para sustentar o crescimento económico, estimado em 7,5% em 2025, devendo atingir 7% em 2026, segundo dados do FMI.

Transportes terrestre e aéreo: do desencravamento à estruturação do território

A rede rodoviária, durante muito tempo um ponto fraco do país, conheceu uma expansão rápida. Mais de 3000 km de estradas foram asfaltados em 10 anos, segundo dados governamentais. Além disso, eixos estruturantes como Cotonou–Bohicon–Dassa, alargados para 2×2 vias, bem como corredores em direção ao norte que reforçam a integração regional, estão em desenvolvimento para aumentar a capacidade rodoviária face ao tráfego previsto.

Nas cidades, a transformação é ainda mais visível. O projeto Asphaltage introduziu um novo padrão urbano. A sua primeira fase permitiu a requalificação de 672 km de vias em nove cidades até 2021, antes de ser alargado a outras aglomerações a partir de 2024.

Em Cotonou, capital económica do Benim, importantes obras de drenagem pluvial transformaram vários bairros anteriormente expostos a inundações. Apoiado por um consórcio de parceiros, incluindo o Banco Mundial, o programa permitiu construir dezenas de quilómetros de coletores de águas, vias pavimentadas e canais de drenagem, bem como sete bacias de retenção.

No total, mais de 168.000 habitantes beneficiaram destas melhorias, com a construção de 46 km de coletores principais, 90 km de coletores secundários e canais, além da pavimentação e requalificação de cerca de 49 km de ruas, complementadas por cerca de 30 km adicionais de vias pavimentadas. O programa integrou igualmente infraestruturas sociocomunitárias, contribuindo para melhorar de forma duradoura o ambiente urbano.

No setor aéreo, a modernização do Aeroporto Internacional Cardinal Bernardin Gantin representa uma etapa importante. Adaptado às normas internacionais, recebeu cerca de 550.000 passageiros em 2025 e mais de 7.700 toneladas de carga, melhorando a conectividade do país.

Paralelamente, o governo lançou o projeto do aeroporto de Glo-Djigbé, com um custo estimado em 440 mil milhões de FCFA. O projeto prevê uma pista de 3400 metros, um terminal de 30.000 m², bem como uma capacidade de 900 passageiros por hora e 13.000 toneladas de carga por ano.

Porto e indústria: a aposta no hub regional

Outra transformação importante diz respeito ao Porto Autónomo de Cotonou. Durante muito tempo criticado pela sua lentidão, beneficiou de investimentos significativos e de uma reforma da sua governação, acompanhada por um plano diretor de modernização superior a 500 mil milhões de FCFA. Entre 2017 e 2025, o tráfego passou de 9,4 milhões para mais de 12 milhões de toneladas, com prazos reduzidos para menos de duas horas em alguns casos. O porto integra agora uma cadeia logística mais eficiente, apoiada por projetos de expansão, digitalização e melhoria dos acessos.

Parakou, terceira cidade do Benim situada no Borgou, afirma-se como um importante polo comercial com mais de 200.000 habitantes, ligando zonas agrícolas — nomeadamente as regiões produtoras de algodão, que representam cerca de 40% da produção nacional — aos mercados do Níger, da Nigéria e de outros países da sub-região. A reabilitação de eixos principais permitiu melhorar a segurança rodoviária, reduzir os tempos de viagem em cerca de 30 minutos e diminuir os acidentes em quase 20% desde 2024, reforçando também o comércio regional.

Um legado a consolidar para o novo presidente: entre continuidade e expectativas sociais

Em apenas uma década, o Benim passou de um défice estrutural para uma modernização acelerada das suas infraestruturas. Agora à frente do país, Romuald Wadagni, antigo ministro de Estado da Economia e das Finanças, eleito com mais de 94% dos votos, herda estes progressos, mas também desafios importantes: desigualdades territoriais persistentes, impacto social ainda limitado em certas zonas rurais e a necessidade de transformar os investimentos em empregos sustentáveis e inclusivos.

No âmbito do seu programa, o novo chefe de Estado prevê continuar a modernização das infraestruturas de transporte para reforçar a conectividade do país. Projetos estruturantes como a operacionalização do aeroporto de Tourou, o desenvolvimento do transporte fluvial no rio Ouémé, a modernização do transporte rodoviário e a criação de um terminal de hidrocarbonetos em Sèmè-Podji estão entre as prioridades.

No centro desta estratégia está também o reforço da conectividade leste-oeste, através de novos corredores que ligarão, entre outros, Natitingou a Kérou e Prékété a Tchaourou, acompanhados de infraestruturas de segurança e manutenção.

«O objetivo é dotar o Benim de uma rede rodoviária mais conectada e resiliente, facilitando a circulação de pessoas e mercadorias, reforçando as trocas inter-regionais e reduzindo de forma duradoura as desigualdades territoriais», indica o programa de governo de Wadagni.

Se o Benim se afirma hoje como um país em plena transformação infraestrutural, o desafio dos próximos anos será converter essa dinâmica num motor duradouro de crescimento inclusivo e de integração regional.

Carelle Yourann (estagiária)

 

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