Impulsionada pelo crescimento da bauxite, a região de Boké ambiciona agora tornar-se um hub logístico e industrial estratégico na África Ocidental. A Guiné acelera os seus projetos de infraestruturas para acompanhar a valorização dos recursos minerais locais.
Na Guiné, os primeiros resultados dos estudos de viabilidade do projeto de porto de águas profundas de Dobali, no noroeste, foram apresentados ao Ministério dos Transportes. Conduzidos pela Infraports Invest, estes trabalhos deverão fornecer às autoridades os dados técnicos, económicos e operacionais necessários para a continuidade deste projeto estratégico, destinado a modernizar os setores portuário e mineiro, ao mesmo tempo que reforça a integração económica regional.
“Apresentámos os estudos de viabilidade, os estudos batimétricos, bem como os primeiros estudos económicos realizados, que permitirão ao governo tomar decisões importantes sobre a continuação do projeto”, indicou Mamady Kaba, diretor da Infraports Invest Guiné, acrescentando que todo o componente económico será entregue às autoridades até ao final de junho, de forma a avaliar com precisão o montante global do investimento.
Iniciado há vários anos, o projeto do porto de águas profundas de Dobali visa reforçar as cadeias logísticas dedicadas à exportação de bauxite na região de Boké, que concentra uma parte significativa dos recursos minerais do país. Segundo as autoridades, a infraestrutura não se limitará, no entanto, às atividades mineiras. Deverá também tratar outras categorias de mercadorias e integrar várias funções logísticas, com o objetivo de desenvolver um ecossistema integrado em torno da economia azul.
Classificado entre os projetos estruturantes do programa Simandou 2040, o porto de Dobali é também apresentado como uma infraestrutura de vocação regional. As autoridades estimam que poderá beneficiar vários países vizinhos, nomeadamente o Mali, a Gâmbia, a Guiné-Bissau e o Senegal. O projeto insere-se numa dinâmica mais ampla de transformação do modelo económico guineense, historicamente centrado na exportação de matérias-primas em bruto.
Este projeto vem complementar várias infraestruturas de transporte em desenvolvimento, incluindo linhas ferroviárias destinadas a melhorar o escoamento dos minérios e a apoiar a industrialização do setor mineiro. Nesta perspetiva, a construção de uma refinaria de alumínio foi lançada no final de 2025, na mesma zona do futuro porto.
A concretização do projeto poderá, no entanto, enfrentar vários desafios, incluindo a mobilização dos financiamentos necessários e as questões ambientais associadas às atividades portuárias e mineiras na região de Boké. Soma-se ainda a necessidade de garantir a viabilidade económica do complexo logístico e a sua integração efetiva nos corredores comerciais regionais.
Henoc Dossa













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