Esses recursos servirão para o desenvolvimento da Standard Gauge Railway (SGR), uma infraestrutura destinada a reforçar as trocas regionais, nomeadamente entre a Tanzânia, o Burundi e a RDC.
A Standard Chartered anunciou na terça-feira, 28 de abril, ter estruturado um financiamento sindicalizado de mais de 2,33 mil milhões de dólares destinado à construção de vários troços da linha ferroviária de bitola padrão (Standard Gauge Railway - SGR).
O projeto inclui uma linha principal de cerca de 1 219 quilómetros entre Dar es Salaam e Mwanza. Os fundos financiarão dois troços desta linha ferroviária, construída pela empresa turca Yapi Merkezi e pela China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC). A longo prazo, a rede deverá estender-se até cerca de 2 561 quilómetros, com ligações ao Ruanda, ao Burundi e à República Democrática do Congo (RDC).
Um financiamento estruturado com múltiplos financiadores internacionais
Os financiamentos provêm de vários credores. Cerca de 1,32 mil milhões de dólares resultam de empréstimos garantidos por agências europeias de crédito à exportação, nomeadamente da Suécia, Polónia e Itália. A estes juntam-se 462 milhões de dólares em empréstimos concedidos por bancos comerciais e instituições de desenvolvimento desde 2023, bem como 559 milhões de dólares garantidos pela agência chinesa Sinosure.
Este novo financiamento soma-se aos 1,46 mil milhões de dólares já mobilizados pela Standard Chartered em 2020 para os dois primeiros lotes do projeto. «Este projeto ferroviário posiciona a Tanzânia como uma plataforma logística de referência, impulsionando o comércio regional e a criação de emprego», afirmou Herman Kasekende, CEO da Standard Chartered Tanzânia.
Um projeto ferroviário no centro da conectividade regional
O projeto visa modernizar e expandir a rede ferroviária tanzaniana, de forma a ligar o porto de Dar es Salaam às regiões interiores e aos corredores económicos do oeste do país. O objetivo é melhorar o transporte de mercadorias e passageiros, reduzindo os custos logísticos. Além disso, a linha pretende reforçar a conectividade com os países vizinhos, nomeadamente o Ruanda, o Burundi e o leste da RDC.
O projeto insere-se num contexto de intensificação das trocas na África Oriental. Segundo a Comissão Económica das Nações Unidas, o comércio no seio da Comunidade da África Oriental (EAC) cresceu 22% em 2024 face a 2023, ultrapassando 11 mil milhões de dólares. Esta dinâmica é impulsionada por produtos agrícolas e industriais (têxteis, cimento, produtos químicos, farmacêuticos), refletindo a progressiva integração das cadeias de valor regionais e os efeitos esperados da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLECAf).
Sandrine Gaingne













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