Perante um desemprego jovem próximo dos 30% e uma persistente inadequação entre a formação e o mercado de trabalho, a Argélia está a acelerar as suas parcerias internacionais para modernizar profundamente o seu sistema de formação profissional.
A Argélia pretende construir com o Qatar uma parceria sólida no domínio da formação profissional. A ministra Nacima Arhab recebeu, no domingo, 26 de abril, o embaixador do Qatar, Abdulaziz Ali Al Naama, em Argel. O encontro teve como objetivo «reforçar as relações de cooperação bilateral entre os dois países irmãos, nomeadamente no domínio da formação e do ensino profissionais», segundo um comunicado do Ministério da Formação e do Ensino Profissionais.
As discussões centraram-se em mecanismos concretos. A agenda incluiu «a troca de conhecimentos especializados e de experiências bem-sucedidas» para melhorar a formação dos estagiários, com vista à «implementação de programas de formação de qualidade, tanto a nível nacional como no âmbito da cooperação internacional». A vertente tecnológica surge como uma prioridade comum. As duas partes destacaram «a transferência de tecnologia, o desenvolvimento de programas e a criação de um ecossistema de formação moderno alinhado com os padrões internacionais», acrescenta o comunicado.
Os dois responsáveis concluíram reafirmando a vontade de «reforçar as oportunidades de uma formação de qualidade para os jovens, enquanto pilar essencial para alcançar o desenvolvimento sustentável». Os acordos previstos ainda não têm calendário definido para assinatura.
O contexto torna esta iniciativa urgente. A taxa de desemprego entre os jovens dos 16 aos 24 anos atinge 29,3% na Argélia, mais do dobro da média nacional, segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas (ONS) em outubro de 2024. As taxas de inserção profissional não ultrapassam os 40% em algumas especialidades, de acordo com dados governamentais, revelando um grande desfasamento entre a oferta formativa e as necessidades dos empregadores.
Esta parceria surge num momento em que a Argélia leva a cabo uma reforma significativa do seu sistema de formação. No início do ano letivo de outubro de 2025, 555.352 formandos integraram as 1.100 estruturas nacionais, dos quais mais de 385.000 são novos inscritos. Em fevereiro passado, foram abertas mais 285.000 vagas, com novas áreas como análise de dados e instalação de painéis solares. O setor baseia-se agora no Referencial Nacional de Formações e Competências, que substitui uma nomenclatura rígida de mais de 400 especialidades distribuídas por 23 ramos profissionais.
Félicien Houindo Lokossou













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