Na Côte d’Ivoire, quase um adulto em cada dois não sabe ler nem escrever. As mulheres são as mais afetadas por este fenómeno, com uma taxa de analfabetismo de 55,7%, segundo dados oficiais.
O governo marfinense está a intensificar a luta contra a exclusão educativa. Na quarta-feira, 22 de abril, em Abidjan, o diretor de gabinete do ministro da Educação Nacional, Alfabetização e Ensino Técnico (MENAET), Moustapha Sangaré, lançou oficialmente o projeto BRIDGE Côte d’Ivoire (2026–2030).
Financiada pela Coreia do Sul, esta iniciativa visa dois grupos prioritários: crianças fora da escola ou que abandonaram o sistema educativo e adultos analfabetos. Trata-se de um sinal forte, numa altura em que cerca de 13% das crianças do país continuam fora do sistema escolar, segundo estimativas da UNESCO.
De acordo com o comunicado oficial, o projeto assenta em dois eixos complementares. O primeiro prevê a criação de 150 “classes de transição” destinadas a crianças entre os 9 e os 14 anos excluídas do sistema educativo. O segundo envolve a implementação de 45 centros de alfabetização dirigidos a mulheres, jovens e adultos vulneráveis. O programa abrangerá as regiões das Lagunes, dos Lacs e das Savanes. A partir de 2026, a implementação começará nas direções regionais da educação (DRENA) de Abidjan 2 e 4, com 20 classes de transição e 10 centros de alfabetização.
“O projeto BRIDGE permitirá criar centros de alfabetização para adultos, mulheres, raparigas e jovens homens, tanto em meio urbano como rural, que não tiveram oportunidade de frequentar a escola”, afirmou Aboudou Soro N’golo. A Côte d’Ivoire torna-se assim o primeiro país da África Ocidental a beneficiar deste programa, juntando-se ao Burundi e aos Camarões entre os participantes francófonos.
O desafio vai muito além da sala de aula. “Esta parceria insere-se numa ambição comum de reforçar a alfabetização e a educação não formal em benefício das populações mais vulneráveis, contribuindo também para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável n.º 4, relativo a uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade para todos”, sublinhou Moustapha Sangaré.
O contexto torna esta iniciativa ainda mais urgente. Segundo um inquérito sobre alfabetização realizado em 2025, onze regiões do país apresentam taxas de analfabetismo superiores a 50%, incluindo o Folon (71%) e o Bounkani (68%). Um estudo publicado em 2024 na revista Mu Kara Sani revela ainda que o MENAET dedica menos de 1% do seu orçamento à educação não formal, evidenciando um subfinanciamento estrutural com consequências significativas.
Apesar disso, as classes de transição já demonstraram resultados positivos. Em 2022–2023, 166 dispositivos semelhantes permitiram acompanhar 4 932 crianças, incluindo 2 661 raparigas, segundo dados governamentais. No entanto, a UNESCO alerta que a Côte d’Ivoire está entre os países onde milhões de crianças adicionais correm o risco de abandonar a escola nos próximos anos, devido à redução dos apoios públicos internacionais.
Félicien Houindo Lokossou













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