O governo destaca o seu desempenho recente no serviço da dívida, já executado em 68,5% até ao final de abril de 2026, e reivindica reconhecimento internacional pela sua gestão prudente.
A Tanzânia prevê destinar 14.219,4 mil milhões de xelins tanzanianos (cerca de 5,6 mil milhões de dólares) ao serviço da sua dívida pública durante o exercício orçamental de 2026/2027, segundo os dados apresentados pelo Ministério das Finanças ao Parlamento na terça-feira, 2 de junho.
No exercício em curso (julho de 2025 a abril de 2026), o país indica ter já mobilizado e desembolsado 9.737,7 mil milhões de xelins, o que representa 68,5% da meta anual. Este desempenho é apresentado pelas autoridades como resultado de uma gestão orçamental rigorosa, num contexto de forte pressão associada aos compromissos financeiros do Estado.
Esta execução foi acompanhada por reconhecimento internacional, com a atribuição à Tanzânia do prémio de melhor gestão da dívida pública entre os países da Commonwealth, bem como do prémio de melhor gabinete de gestão da dívida pública em África. As autoridades consideram que estas distinções refletem os esforços desenvolvidos para reforçar a credibilidade financeira do país e manter a confiança dos parceiros internacionais.
O montante total previsto para o serviço da dívida abrange tanto a dívida interna como a dívida externa. Deste total, 4.445,1 mil milhões de xelins destinam-se ao reembolso da dívida externa e 5.292,6 mil milhões de xelins à dívida interna.
Um contexto de financiamento mais exigente, mas com classificação soberana estável
Num ambiente global marcado pelo endurecimento das condições de financiamento, o governo sublinha que o cumprimento dos prazos de pagamento continua a ser essencial para preservar o acesso aos mercados financeiros regionais e internacionais. De forma mais ampla, a gestão da dívida integra-se numa estratégia de sustentabilidade das finanças públicas, combinando um reforço da arrecadação de receitas, a otimização do recurso ao endividamento e a disciplina orçamental.
Esta dinâmica ocorre num contexto caracterizado por elevadas necessidades de financiamento, ligadas sobretudo aos investimentos em infraestruturas e projetos de desenvolvimento. A Fitch Ratings confirmou, em 27 de março de 2026, a classificação soberana da Tanzânia em B+, com perspetiva estável, refletindo uma economia considerada em crescimento sólido e com inflação controlada.
Este desempenho é sustentado pelas reformas económicas em curso e pelo apoio financeiro do FMI, nomeadamente através dos programas FEC (Facilidade Alargada de Crédito) e FRS (Facilidade para a Resiliência e a Sustentabilidade). A agência destaca, contudo, várias fragilidades estruturais, incluindo uma governação considerada fraca, receitas públicas ainda limitadas apesar das melhorias registadas, bem como um enquadramento macroeconómico que continua a necessitar de aperfeiçoamentos e que gera distorções no mercado cambial.
Relativamente ao crescimento económico, a Fitch prevê um crescimento real do PIB de cerca de 6% em 2026 e 2027, impulsionado pelos setores agrícola e mineiro, bem como por importantes investimentos em infraestruturas, nomeadamente o caminho-de-ferro SGR e o projeto de oleoduto EACOP.
Carelle Yourann (estagiária)













Dakar, Senegal