- O Presidente da República de Angola, João Lourenço, anunciou a criação da Agência Espacial Angolana.
- A iniciativa visa transformar Angola em um produtor de tecnologia espacial, garantindo assim sua independência tecnológica.
- O país já iniciou a implementação do seu programa espacial, nomeadamente com o lançamento de um satélite de telecomunicações. Essa função é atualmente desempenhada pelo Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional.
O presidente da República de Angola, João Lourenço (foto), anunciou nesta quarta-feira, 15 de outubro, em seu discurso sobre o estado da nação, a criação da Agência Espacial Angolana. Essa entidade será responsável pelo gerenciamento das questões espaciais no país.
A iniciativa faz parte da implementação do Programa Espacial Nacional, através do qual as autoridades esperam "transformar a República de Angola de um simples usuário de serviços, produtos e tecnologias espaciais, em um operador e produtor dessas mesmas tecnologias, assegurando sua independência tecnológica espacial".
O chefe de Estado lembrou que o país já possui um satélite de telecomunicações, Angosat-2, que entrou em operação em janeiro de 2023. Ele permite a implementação do projeto "Conecta Angola", destinado a levar as comunicações às áreas mais remotas do país, já atendendo a várias localidades de 13 províncias.
Em uma entrevista concedida ao Jornal de Angola em abril de 2025, o ministro das TIC, Mário Oliveira, indicou que além do satélite Angosat-2, um programa de observação da Terra também está previsto. Este tem como objetivo a vigilância ambiental, a agricultura de precisão, a gestão dos recursos naturais e a prevenção de catástrofes. O executivo atribuiu a Airbus a construção de seu primeiro satélite de observação, Angeo-1, com um custo estimado em 225 milhões de euros (aproximadamente 263,6 milhões de dólares).
O Sr. Oliveira também mencionou a criação de um centro de estudos espaciais, a elaboração de um quadro legislativo para a futura Agência Espacial, a formação de especialistas nacionais, bem como o desenvolvimento de infraestruturas de comunicação, navegação e meteorologia. Essas iniciativas estão inscritas no "Livro Branco das TIC 2023–2027".
Os esforços do governo angolano fazem parte de uma tendência continental marcada por um interesse crescente no setor espacial. De acordo com o Space in Africa, 465,34 milhões de dólares foram atribuídos ao setor em 2024. O mercado espacial africano, avaliado em 22,6 bilhões de dólares no mesmo ano, deverá crescer substancialmente até 2026, impulsionado por iniciativas na fabricação de satélites, desenvolvimento de infraestruturas e o crescimento das empresas NewSpace.
Cabe ressaltar, no entanto, que o cronograma de lançamento das atividades da Agência Espacial Angolana não foi especificado. O Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) afirmou, em comunicado divulgado em 15 de outubro, que está conduzindo intercâmbios de experiências nas áreas jurídicas com as principais agências espaciais, a fim de definir as estratégias jurídicas e operacionais necessárias para a criação da Agência Espacial Angolana.
Isaac K. Kassouwi












