Entrevista com Doris Uwicyeza, CEO da Rwanda Governance Board (RGB)
Rwanda se mantém em primeiro lugar no Leste Africano e no top três do continente pelo Índice Chandler do Bom Governo até 2025
Em 2025, Ruanda mantém a primeira posição no Leste Africano e segue no trio de liderança do continente, de acordo com o Índice Chandler do Bom Governo. Doris Uwicyeza, PhD, discute os pilares de um desempenho duradouro e as prioridades futuras.
O Ruanda mantém sua posição de liderança no Leste Africano e continua no trio de liderança na África em 2025. Quais são os fatores que explicam essa consistência?
Essa regularidade deve-se inicialmente a uma liderança forte, visionária, capaz de construir uma governança duradoura para Ruanda, permanecendo atenta ao seu contexto histórico. A estabilidade do país está baseada em alicerces específicos: unidade nacional e segurança, protegidas por uma constituição que proíbe qualquer forma de discriminação e uma democracia consensual que prioriza o diálogo em vez da confrontação.
A participação cidadã também está no coração deste modelo. Graças à descentralização, os ruandeses participam do planejamento e implementação de políticas públicas. Iniciativas endógenas, originárias da cultura e experiência do país, permitem respostas adaptadas aos seus desafios. A inclusividade é outro pilar: a representação de mulheres, jovens e pessoas com deficiência é garantida por lei. Por fim, a responsabilidade institucional, assegurada pelo Ouvidor, Auditor Geral, o Senado e a RGB, e a digitalização de serviços públicos reforçaram a transparência, boa gestão de fundos públicos e a confiança entre o Estado e seus cidadãos.
O país é o 4º do mundo em longo prazo e o 6º em adaptabilidade. Como essas vantagens se refletem nas suas políticas públicas hoje?
Olhar mais além foi uma decisão coletiva que os ruandeses tomaram após o genocídio de 1994. Desde então, a nossa ação pública se baseia em um planejamento rigoroso a médio e longo prazos. A Visão 2050 estabelece duas metas claras: juntar-se à categoria de países de renda média alta até 2035 e depois à de países de alta renda em 2050, com um PIB per capita de US$ 12.476.
Essas ambições integram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063 da União Africana. A execução dessas metas é alimentada por ciclos quinquenais da Estratégia Nacional de Transformação, que permitem o ajuste e avaliação dos progressos. A adaptabilidade do Ruanda é demonstrada pela rápida integração de tecnologias emergentes, inovações de governança e participação cidadã. O Ruanda Governance Scorecard, elaborado pela RGB, garante a cada ano um acompanhamento objetivo e mensurável de nossos desempenhos.
Os indicadores também destacam a estabilidade regulatória e eficiência do gasto públicos. Qual é o impacto direto nos investimentos e na confiança dos cidadãos?
A estabilidade macroeconômica e regulatória é uma condição essencial para a confiança, tanto para investidores quanto para os cidadãos. O Ruanda apoia uma gestão orçamentária rigorosa, baseada na transparência e no planejamento a longo prazo. O controle parlamentar, os quadros de gastos e dívida de médio prazo garantem uma gestão responsável das finanças públicas.
Do ponto de vista monetário, o Banco Nacional de Ruanda mantém a inflação próxima a 5% e monitora a estabilidade do sistema financeiro. Esta coerência reforça a credibilidade do país e fornece segurança aos investimentos. A digitalização dos serviços públicos além disso, permitiu reduzir a burocracia e melhorar a eficiência da ação pública, traduzindo a boa governança em resultados tangíveis: infraestrutura, acesso à saúde, educação e proteção social.
Por outro lado, o relatório destaca deficiências em comércio internacional, emprego ou meio ambiente. Quais prioridades você definiu para reduzir essas lacunas?
Como um país sem acesso ao mar, o Ruanda enfrenta altos custos logísticos que pesam sobre a sua competitividade. O governo responde a este desafio com a política "Made in Rwanda", que encoraja a produção local e a substituição de importações, ao mesmo tempo em que investe em infraestruturas, áreas econômicas especiais e redes de transporte.
A integração regional também permanece uma prioridade: visa reduzir as barreiras tarifárias e não tarifárias na região. Em termos de emprego, o país optou por apostar na educação e no treinamento de jovens para construir uma economia baseada no conhecimento. A Estratégia Nacional de Transformação 2024-2029 visa a criação de pelo menos 200.000 empregos por ano, apoiada pelo Programa Nacional para o Emprego, que coordena a ação pública e privada nesta área.
Finalmente, a política ambiental e climática de Ruanda, alinhada com a Visão 2050, a Agenda 2063 e os ODS, traduz o nosso compromisso de construir uma economia verde e resiliente. Seu sucesso baseia-se na colaboração entre o governo, as empresas, a sociedade civil e as comunidades locais.
Finalmente, a reputação internacional de Ruanda continua sendo um desafio. Quais iniciativas estão em andamento para reforçar a influência e a imagem do país no exterior?
Nossa posição internacional está intimamente ligada à nossa história e à nossa visão do mundo. Ruanda escolheu uma diplomacia baseada no respeito mútuo, justiça e coerência. Recusamos qualquer abordagem baseada em dois pesos e duas medidas na resolução de crises. Tirando proveito de sua experiência em reconstrução, o país está ativamente envolvido na manutenção da paz, tanto sob a égide das Nações Unidas como através de cooperações bilaterais.
No continente africano, acreditamos em soluções africanas para problemas africanos. Esta convicção é traduzida por nossa política de abertura de vistos e nosso compromisso com a Zona de Livre Comércio Africana. Nossa reputação internacional, por fim, é pautada na constância de nossos valores: justiça, transparência, responsabilidade e contribuição para estabilidade regional e global.












