Impulsionado por uma gestão orçamental prudente e por um recurso maioritário a financiamentos concessionais, o Ruanda mantém a sustentabilidade da sua dívida pública, apesar de um aumento progressivo do serviço da dívida e de novos desafios ligados a grandes projetos de infraestruturas.
No final de junho de 2025, a dívida pública do Ruanda situou-se em 74,8% do PIB, um nível inferior às previsões iniciais de 80,5%, segundo o relatório do Ministério das Finanças ruandês publicado na segunda-feira, 27 de abril.
Esta melhoria explica-se por uma gestão macroeconómica considerada rigorosa, pela revisão do PIB nacional e por um financiamento progressivo de projetos estruturantes, como o novo aeroporto internacional de Kigali e a expansão da companhia aérea nacional RwandAir.
A estrutura da dívida permanece relativamente favorável, com 88,2% dos empréstimos externos contraídos em condições concessionais vantajosas, limitando assim o custo global do financiamento, refere o relatório.
As autoridades ruandesas prosseguiram igualmente reformas nas empresas públicas, combinando privatizações direcionadas, melhoria da governação e reestruturação da dívida, com o objetivo de reduzir os riscos orçamentais. O reembolso do eurobond de 400 milhões de dólares em 2023, associado à redução da dívida interna de curto prazo, contribuiu para aliviar as pressões de refinanciamento e melhorar a estrutura dos prazos.
No entanto, por detrás desta aparente estabilidade, o custo do serviço da dívida continua a aumentar. Entre os exercícios de 2023/2024 e 2024/2025, o serviço da dívida externa passou de 247,6 milhões para 285,6 milhões de dólares. Esta evolução representa agora 9,1% das exportações, contra 8,7% um ano antes, e 9,5% das receitas públicas, face a 8,1% anteriormente.
No mercado interno, o serviço da dívida doméstica também aumentou, passando de 339,6 mil milhões para 354,9 mil milhões de francos ruandeses. Embora o capital tenha diminuído ligeiramente, de 103,1 mil milhões para 95,7 mil milhões, o aumento dos juros — de 236,4 mil milhões para 259,1 mil milhões de francos ruandeses — reflete o encarecimento do financiamento local.
Investimentos estruturantes, mas vulnerabilidades persistentes
Apesar de uma trajetória ainda sustentável, a dívida do Ruanda permanece sob pressão devido aos investimentos massivos em infraestruturas, serviços sociais e projetos estratégicos como Bugesera ou a RwandAir. A agência Fitch Ratings antecipa, assim, um pico da dívida pública de 79% do PIB em 2027, seguido de uma estabilização progressiva.
Esta projeção reflete várias vulnerabilidades, nomeadamente a persistência de défices primários, a dependência de uma dívida maioritariamente denominada em moeda estrangeira — cerca de 80% externa —, bem como a exposição às flutuações cambiais e ao aumento dos custos de financiamento internacionais.
Neste contexto, Kigali aposta numa estratégia centrada no reforço da mobilização fiscal, no controlo das despesas públicas, na ampliação do recurso a financiamentos concessionais, no desenvolvimento do mercado obrigacionista doméstico e na exploração de mecanismos de financiamento inovadores.
Charlène N’dimon













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