Facebook Agence Ecofin Twitter Agence Ecofin LinkedIn Agence Ecofin
Instagram Agence Ecofin Youtube Agence Ecofin Tik Tok Agence Ecofin WhatsApp Agence Ecofin
×

Message

Failed loading XML... XML declaration allowed only at the start of the document

“O mercado do cacau entrou claramente em um novo ciclo, afirma especialista.”

“O mercado do cacau entrou claramente em um novo ciclo, afirma especialista.”
Segunda-feira, 16 de Março de 2026

Há alguns meses, os preços do cacau estão em forte queda em relação ao pico alcançado em 2024. Essa situação está abalando todos os atores da cadeia de valor global, desde os produtores até os comerciantes e os transformadores.

E se a atual crise dos preços do cacau fosse apenas o início de uma nova fase destinada a durar? Essa é, pelo menos, a visão de Edward George, consultor independente e fundador da empresa Kleos Advisory, ativa nos mercados de matérias-primas agrícolas na África.

Desde o recorde alcançado em Nova York em dezembro de 2024 — 12.906 dólares por tonelada —, as cotações globais sofreram uma forte correção e agora giram em torno de 3.000 dólares por tonelada, com repercussões importantes nos sistemas de comercialização da Côte d’Ivoire e de Ghana, os dois maiores produtores mundiais.

Enquanto nos dois países as autoridades reduziram significativamente os preços pagos aos produtores (57% na Costa do Marfim e 28,6% em Gana) para tentar relançar as compras de grãos acumulados nas zonas de produção, o especialista acredita que essa crise está longe de terminar.

O mercado do cacau entrou claramente em um novo ciclo. No ano passado, os grãos eram escassos. Hoje há muito cacau disponível no mercado. Não é a primeira vez que observamos isso. Já vimos situações semelhantes em ciclos de cerca de 10 a 15 anos. Infelizmente, a história se repete, desta vez com um impacto muito pesado”, explica Edward George.

Além da dolorosa correção dos preços ligada a uma maior disponibilidade da oferta, o analista ressalta que essa inversão do ciclo também se traduz por um enfraquecimento da demanda, especialmente nas grandes regiões consumidoras.

Observa-se uma queda clara na moagem e no uso do cacau na Europa, na América do Norte e na Ásia”, afirma, apontando um duplo efeito.

As indústrias de chocolate utilizam menos cacau e procuram formulações alternativas, enquanto a crise do custo de vida leva as famílias a reduzir a compra de confeitos e a frequentar menos restaurantes. Se olharmos as últimas estimativas de mercado, agora se prevê um excedente mundial de cerca de 200.000 toneladas, ou até mais.”

“Precisamos de mudanças estruturais”

Embora atualmente as cadeias produtivas em Gana e na Costa do Marfim tenham recuperado algum fôlego, o especialista destaca que ajustes de curto prazo não serão suficientes para lidar com essa nova dinâmica do mercado.

Em Gana, as autoridades já estudam um novo modelo de financiamento baseado em títulos domésticos lastreados em cacau e anunciaram a meta de transformar metade da colheita até a safra 2026/2027.

“A implementação de um novo sistema de financiamento dependerá da posição do banco central, do Ministério das Finanças e do Parlamento. Há também um histórico de captações anteriores mal geridas, o que torna os mercados cautelosos”, alerta.

De forma mais ampla, ele considera que a governança do setor do cacau precisa ser repensada, não apenas em Gana e na Costa do Marfim, mas também em Cameroun e Nigeria, onde os mercados são mais liberalizados, caso esses países queiram resistir melhor a choques futuros.

Precisamos de uma transformação estrutural”, insiste, antes de destacar os potenciais benefícios de uma Bolsa africana de cacau (AfCX).

Segundo ele, o projeto da International Cocoa Organization de criar uma Bolsa africana do cacau poderia desempenhar um papel fundamental, permitindo que o preço pago aos produtores reflita melhor as condições dos mercados locais.

“Gana e Costa do Marfim falam muito da necessidade de reforçar a transformação local e, também nesse caso, uma bolsa poderia ser decisiva. Os transformadores poderiam recorrer à plataforma para se abastecer de grãos quando não conseguem obtê-los pelas cadeias tradicionais de fornecimento, dominadas pelas casas de comércio e pelas multinacionais do chocolate.”

Espoir Olodo.

Sobre o mesmo tema

  RUBRIQUE :  SEçÕES Sous rubrique: reflexão Por Diaka Camara, jornalista, produtora e fundadora da agência CBC Worldwide Com & Prod,...

Em África, o ecossistema dos pagamentos está a evoluir a grande velocidade. A Visa já não quer limitar-se a fornecer apenas soluções. A empresa pretende...

A Tanzânia é o segundo maior produtor africano de caju. Nos últimos anos, o país do Leste de África tem procurado também reforçar a transformação...

Há alguns meses, os preços do cacau estão em forte queda em relação ao pico alcançado em 2024. Essa situação está abalando todos os atores da cadeia de...

MAIS LIDOS
01

Este pacote «Team Europe» financiará os setores digital, da saúde, da agricultura e da gestão das mi…

Nigéria: a UE anuncia a mobilização de 336 milhões de dólares para financiar setores-chave
02

Face a uma persistente inadequação entre a formação e as necessidades das empresas, os países africa…

Guiné aposta no setor privado para reforçar a empregabilidade dos jovens
03

Segundo Noumory Sidibé, diretor-geral da CI-Énergies, a Costa do Marfim não enfrenta um défice de pr…

Costa do Marfim lança investimento de 1,2 mil milhões de dólares para reforçar a rede elétrica
04

Num contexto de concorrência crescente no mercado mundial dos isótopos médicos e de envelhecimento d…

Nuclear: a África do Sul prepara a aquisição de um novo reator de investigação

A Agência Ecofin cobre diariamente as atualidades de 9 setores africanos: gestão pública, finanças, telecomunicações, agro, energia, mineração, transportes, comunicação e formação. Também concebe e opera mídias especializadas, digitais e impressas, em parceria com instituições ou empresas ativas em África.

DEPARTAMENTO COMERCIAL
regie@agenceecofin.com 
Tel: +41 22 301 96 11
Cel: +41 78 699 13 72

Mídia kit : Link para download
REDAÇÃO
redaction@agenceecofin.com


Mais informações :
Equipe
Editora
AGÊNCIA ECOFIN

Mediamania Sarl
Rue du Léman, 6
1201 Genebra – Suíça
Tel: +41 22 301 96 11

 

A Agência Ecofin é uma agência de informação econômica setorial, criada em dezembro de 2010. Sua plataforma digital foi lançada em junho de 2011.

 
 
 
 

Please publish modules in offcanvas position.