A ideia de uma segunda refinaria foi mencionada em maio de 2025 pela Société gabonaise de raffinage (Sogara), como um projeto para triplicar a capacidade de refino da produção petrolífera do país.
No Gabão, o grupo China Road and Bridge Corporation (CRBC) iniciou um projeto para construir uma nova refinaria de petróleo bruto em Port-Gentil, no sudoeste do país. De acordo com informações divulgadas pela imprensa local na quarta-feira, 15 de outubro de 2025, a empresa assinou um memorando de entendimento (MoU) para este fim com o governo gabonês.
Este projeto faz parte de um programa mais amplo de infraestruturas, que inclui nomeadamente a construção e recuperação de mais de 250 quilômetros de estradas na província de Woleu-Ntem, ao norte do país.
O Gabão, que produz cerca de 200.000 barris de petróleo bruto por dia de acordo com a OPEP, atualmente possui apenas uma refinaria operada pela Sogara e instalada em Port-Gentil desde 1964. Enfrentando dificuldades técnicas e financeiras recorrentes, esta unidade não consegue mais cobrir todas as necessidades nacionais de produtos petrolíferos.
De acordo com a OPEP, a Sogara processou cerca de 13.000 barris de petróleo bruto por dia em 2023 (cerca de 666.000 toneladas no ano), que só conseguiu satisfazer cerca de 28% das necessidades do mercado interno. Em 2024, a imprensa local relatou aproximadamente 910.000 toneladas de petróleo bruto processado.
Neste contexto, a construção de uma nova refinaria visa aumentar a segurança energética do país e reduzir a dependência das importações de combustíveis. Segundo as autoridades gabonesas, o projeto deverá criar "mais de 20.000 empregos" durante a fase de implementação. Além disso, o protocolo concluído entre o Gabão e a CRBC deverá evoluir para a assinatura de um acordo mais vinculativo.
Abdel-Latif Boureima
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03/05/2025 - O Gabão planeja construir uma nova refinaria de petróleo para triplicar sua produção.
Do Gana à Serra Leoa, iniciativas para transformar resíduos municipais em combustíveis e eletricidade renovável ilustram uma tendência crescente de valorização energética na África Ocidental.
No Gana, a F&B Bio Reciclagem deseja transformar os resíduos municipais que frequentemente se acumulam sem qualquer tratamento em uma fonte de energia. A empresa anunciou, no início de outubro, que concluiu a primeira fase de seu projeto de valorização de 2.000 toneladas de resíduos sólidos por dia, para produzir combustível de aviação sustentável e biodiesel.
Esta fase confirmou a viabilidade técnica e comercial do projeto, que se baseia na gaseificação e na síntese de Fischer-Tropsch, um processo industrial de transformação de resíduos em combustíveis líquidos. "Este projeto encontra-se na encruzilhada entre duas questões mundiais, a gestão de resíduos e a descarbonização do transporte. Nossa fase 1 demonstra que podemos transformar os resíduos em combustível de aviação limpo em larga escala no Gana" disse Frederick Opoku Agyekum, diretor de desenvolvimento da empresa.
De acordo com a Plataforma Cidades Limpas da África, mais de 90% dos resíduos produzidos na África acabam em aterros não monitorados, ou queimados a céu aberto. Dezenove das cinquenta maiores lixeiras do mundo estão na África Subsaariana. Estes locais exalam metano e carbono negro, gases que afetam o equilíbrio e a higiene da atmosfera.
Por outro lado, a aviação representa, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), 2,5% das emissões globais de CO₂ relacionadas à energia. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), os combustíveis de aviação sustentáveis poderiam representar até 65% das reduções de emissões necessárias para atingir a neutralidade de carbono do setor até 2050.
Este projeto em Gana não é um caso isolado. Na África Ocidental, iniciativas similares estão surgindo. Na Serra Leoa, por exemplo, a Climate Fund Managers e a Infinitum Energy Group estão desenvolvendo uma usina de 30 MW em Freetown para transformar 365.000 toneladas de resíduos municipais por ano em 236,5 GWh energia renovável.
Segundo o Instituto Francês de Relações Internacionais, a produção anual de resíduos municipais na África Subsaariana poderia triplicar até 2050, atingindo 516 milhões de toneladas, um volume que reforça a importância da valorização energética no planejamento urbano e climático da região.
Abdoullah Diop
Em resposta à crescente demanda por energia limpa e mais barata na África, a Rana Energy surge em uma transição energética onde tecnologia e financiamento se unem para romper com o diesel.
Na terça-feira, 14 de outubro, a empresa nigeriana Rana Energy anunciou um financiamento pré-seed de 3 milhões de USD destinados à expansão de seu modelo de fornecimento de energia limpa baseado em IA. A operação inclui um investimento de capital próprio de 500.000 USD por Techstars, EchoVC Eco e vários investidores individuais, além de uma dívida verde de 2,5 milhões USD em moeda local estruturada pela Optimum Global e garantida pela FSDH Asset Management.
A Rana Energy explora um modelo de utilidade digital chamado Virtual Solar Network (VSN). Este sistema prevê a demanda de energia, agrega instalações solares e de armazenamento em portfólios financiáveis e gerencia remotamente. Permite que empresas e instituições acessem eletricidade confiável por assinatura, ao mesmo tempo em que reduzem seus gastos e dependência do diesel. Com esse financiamento, a empresa planeja aumentar sua capacidade instalada para 10 MW nos próximos doze meses, expandindo-se para Gana e Zâmbia.
"Em apenas 18 meses, implantamos 1,3 MW de capacidade solar e de armazenamento na Nigéria, atingimos uma disponibilidade de 99,9%, reduzimos a dependência do diesel em mais de 80% e diminuímos os custos energéticos de nossos clientes em até 30%", disse Mubarak Popoola, co-fundador da empresa.
Na África Subsaariana, empresas comerciais e industriais muitas vezes recorrem a geradores a diesel para garantir o acesso à eletricidade, devido às falhas nas redes públicas que também não abrangem todas as áreas. Nesse contexto, a oferta da empresa, uma combinação de financiamento local, tecnologias de IA e soluções de energia solar distribuída, oferece um fornecimento de energia mais limpo, mais resiliente e, sobretudo, mais barato.
Abdoullah Diop
Na indústria petrolífera do Gabão, o diálogo social visa conciliar a performance econômica com a justiça social, enfatizando a capacidade do Estado de regular um setor estratégico dominado por multinacionais estrangeiras.
Segundo informações divulgadas em 13 de outubro pela imprensa local, o TotalEnergies EP Gabão recusou-se a participar da sessão de outubro da Comissão para o diálogo social na indústria de hidrocarbonetos. A sessão, prevista para o período de 13 a 17 de outubro de 2025, deveria reunir os principais atores da indústria para discutir questões de terceirização e trabalho precário, pontos centrais nas tensões sociais.
A recusa da multinacional francesa em participar desse diálogo reacende questões sobre o controle efetivo do Estado sobre grandes empresas estrangeiras atuando na indústria de hidrocarbonetos no Gabão. Em uma carta datada de 10 de outubro, a Organização Nacional dos Funcionários de Petróleo (ONEP) afirmou que a justificativa fornecida foi "procrastinatória" e criticou a decisão da empresa de recusar o convite.
Este impasse ocorre no momento em que o governo de transição, comprometido com a reforma da governança econômica, busca estabelecer um diálogo social estruturado na indústria de petróleo e gás. De acordo com o Banco Mundial, o setor representou cerca de 50% das receitas públicas e 65% das exportações nacionais em 2024.
Criada pelo decreto presidencial n°024/PT-PR de 16 de abril de 2024, a Comissão de Diálogo Social tem como objetivo intensificar a concertação entre governo, sindicatos e operadores de petróleo. Ligada diretamente à presidência da República, tem acesso às informações necessárias das empresas e é autorizada a propor reformas em termos de condições de trabalho, subcontratação e status dos funcionários terceirizados.
Na sua reunião de 10 de setembro de 2025, a Comissão resultou em compromissos, principalmente relacionados à subcontratação e à aplicação de convenções coletivas em todo o setor. Duas anos de negociações precederam essas decisões.
Para a ONEP, o fato do TotalEnergies EP Gabão se recusar a participar é interpretrado como uma obstrução ao processo de diálogo. O sindicato ameaça iniciar uma greve geral até o final do ano, se a empresa não cumprir as resoluções adotadas em setembro.
Os embates têm implicações econômicas significativas, visto que o TotalEnergies EP Gabão continua a ser um importante contribuinte fiscal no país. De acordo com o ITIE (relatório 2022 publicado em 2024), a subsidiária do grupo francês pagou cerca de 194 bilhões de FCFA (cerca de $310 milhões USD) ao Estado gabonês naquele ano, em comparação com os 94 bilhões de FCFA (cerca de $150 milhões USD) pagos em 2021.
Os pagamentos representaram cerca de 12% das receitas nacionais de extração. Produzindo uma média de 15.800 barris por dia em 2023, ou cerca de 7% da produção nacional, a empresa fica atrás da Perenco (42%) e da Assala Energy (24%). Ainda que o Estado Gabonês detenha 25% do capital da subsidiária, as orientações operacionais e financeiras são determinadas pelo grupo TotalEnergies.
A Presidência e o presidente da Comissão, Arnaud Calixte Engandji-Alandji, afirmaram que os trabalhos continuarão, apesar da ausência de alguns operadores, conforme previsto no decreto n°024/PT-PR.
Abdel-Latif Boureima
Na região carbonífera de Mpumalanga, a Seriti Green está desenvolvendo o maior projeto eólico integrado da África do Sul. Esta obra ilustra uma transição energética que está se estabelecendo no coração de um pólo energético fóssil.
Seriti Green iniciou em Mpumalanga, centro histórico do carvão na África do Sul, a construção da terceira fase (155 MW) do complexo eólico Ummbila Emoyeni. O financiamento foi garantido pelo Standard Bank, Rand Merchant Bank e ABSA.
As duas primeiras fases somaram 310 MW, com financiamento concluído respectivamente em 2024 e em agosto de 2025. Com esta nova fase, 465 MW de capacidade estão atualmente em construção, dos 900 MW planejados. A totalidade do complexo incluirá cinco parques eólicos, uma usina solar e uma unidade de armazenamento de baterias.
Um terço da eletricidade produzida pelo complexo alimentará as operações de mineração da Seriti Resources, a empresa mãe da Seriti Green, enquanto o restante será vendido por meio do NOA Group e da Energy Exchange of Southern Africa. De acordo com uma fala atribuída a Peter Venn, CEO da Seriti Green, pela Engineering news, a terceira fase marca uma etapa importante na justa transição energética da África do Sul.
Ele indicou que milhares de pessoas estão adquirindo habilidades e encontrando emprego no setor de energias renováveis, com o número de trabalhadores no local atingindo 1200 e devendo aumentar para 2000 conforme a construção avança.
A emergência de um complexo como este no coração de um polo de carvão histórico ilustra o progresso, ainda que desigual, da transição energética na África do Sul. Isso também reflete o fortalecimento de atores do setor privado, capazes de investir em energias renováveis e integrar essa transformação em uma dinâmica de desenvolvimento local.
Abdoullah Diop
A Agência de Desenvolvimento da Filiera da Mandioca (ADFMA) firmou parceria com o Centro Regional de Excelência contra Fitopatógenos Transfronteiriços (WAVE) para melhorar a produtividade e reduzir perdas pós-colheita, que chegam a 40% da produção nacional.
Enquanto a produtividade deveria variar entre 25 e 35 toneladas por hectare, os agricultores colhem em média apenas 10 a 18 toneladas. Doenças como o mosaico da mandioca e a “cassava brown streak disease” agravam a situação.
O setor da mandioca é estratégico, com contribuição estimada em 514 bilhões de FCFA (cerca de US$ 850 milhões) para a economia marfinense.