Há muito caracterizado por um défice de capacidades, o sistema portuário beninense procura reposicionar-se na competição logística da África Ocidental. A transformação em curso em Cotonou insere-se nesta dinâmica de reforço sub-regional.
Em curso desde 2021, o programa de modernização do Porto de Cotonou apresenta avanços significativos, segundo informações disponíveis no site da autoridade portuária. Avaliado em mais de 500 mil milhões de francos CFA (cerca de 885,7 milhões de dólares), este vasto projeto estruturado em 12 iniciativas principais já vê algumas infraestruturas concluídas, enquanto outras se aproximam da fase final.
Aumentar as capacidades
Alguns dos projetos visam reforçar as capacidades de acolhimento, tratamento e operação da plataforma, com o objetivo de receber mais navios, agilizar operações e diversificar atividades portuárias. Este conjunto inclui a construção do Terminal 5, dedicado a mercadorias a granel, bem como a extensão da bacia portuária e a renovação dos cais norte, para receber navios com maior calado (superior a 15 metros). Estes dois projetos apresentam taxas de execução de 72 % e 85 %, respetivamente.
O plano inclui igualmente a construção de um segundo posto de hidrocarbonetos, bem como a criação de uma zona de serviços náuticos destinada às forças navais, à vigia, aos rebocadores e ao estaleiro naval. No entanto, os trabalhos físicos destas duas infraestruturas ainda não começaram.
Tornar o tráfego e os fluxos mais fluidos
Outro conjunto de projetos visa melhorar a circulação de mercadorias e camiões à volta da plataforma, num contexto de crescente congestionamento na cidade de Cotonou. Neste âmbito, a construção do parque tampão de Zongo, concebido para aliviar o tráfego na zona portuária, apresenta uma taxa de execução de 72 %.
O edifício de acolhimento de condutores associado a esta infraestrutura está concluído em 55 %, enquanto a plataforma logística do Grande Nokoué regista 26 % de progresso. Já a futura zona logística ainda não foi iniciada.
Diversificação das atividades económicas
Para além do transporte marítimo, as autoridades beninenses pretendem desenvolver em torno do porto um ecossistema integrado, combinando serviços marítimos, pesca, atividades terciárias e economia azul.
Neste contexto, está em construção um centro de negócios marítimos destinado a reunir os principais atores da comunidade portuária, com uma taxa de execução estimada em 44 %. Por outro lado, o projeto do novo porto de pesca, destinado a atividades artesanais e semi-industriais, ainda não arrancou.
Reconfiguração urbana e segurança
O programa de modernização do sistema portuário do Benim inclui também a reconfiguração das áreas urbanas envolventes e o reforço da segurança das instalações. Segundo a autoridade portuária, as fases 1 e 2 da construção e renovação da vedação do porto estão concluídas a 100 %, tal como o edifício comercial e de restauração destinado ao realojamento das vendedoras que operam no interior do porto.
De forma global, estas novas infraestruturas deverão consolidar as reformas recentes, incluindo a digitalização dos procedimentos portuários. As autoridades estimam que a conclusão do programa permitirá reduzir o tempo de permanência dos navios ao largo e aumentar a capacidade anual da plataforma para mais de 20 milhões de toneladas, contra cerca de 12 milhões em 2025. O objetivo é também reforçar a competitividade face à concorrência crescente de portos vizinhos como Lomé (Togo), Tema (Gana) e Abidjan (Costa do Marfim), que também estão a investir em expansão.
A concretização destas ambições dependerá, entre outros fatores, da mobilização de financiamento. O Porto de Cotonou terá igualmente de manter o ritmo das reformas operacionais para preservar a sua atratividade num ambiente sub-regional cada vez mais competitivo entre hubs portuários.
Henoc Dossa
O Presidente da República do Congo apresentou esta medida como mais um passo rumo à integração continental e à livre circulação em África.
O presidente congolês Denis Sassou N’guesso anunciou, na segunda-feira, 25 de maio, à margem das Assembleias Anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em Brazzaville, a supressão dos vistos para os cidadãos africanos que entrem na República do Congo.
«A partir de 1 de janeiro de 2027, a entrada na República do Congo deixará definitivamente de estar sujeita a visto para todos os povos africanos», declarou. Segundo o chefe de Estado, esta decisão insere-se na concretização do seu «compromisso em prol de uma África unida, soberana e próspera».
Um movimento continental de abertura progressiva
No plano económico, esta abertura aos cidadãos africanos deverá facilitar as trocas intra-africanas, especialmente para empresários, investidores e operadores comerciais. A medida enquadra-se na dinâmica da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), que assenta na fluidez da mobilidade e na redução das barreiras não pautais. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), as trocas comerciais da República do Congo com os outros países africanos continuam ainda modestas: África representa 9,28% das suas importações e 5,27% das suas exportações em 2025.
No setor do turismo, esta medida deverá reforçar a atratividade do Congo, facilitando a chegada de visitantes africanos e estimulando atividades ligadas à hotelaria, restauração e transportes. O Plano Nacional de Desenvolvimento (PND 2022-2026) faz do turismo um eixo prioritário de diversificação económica fora do setor petrolífero, com a ambição de elevar a contribuição do turismo para 10% do PIB, contra menos de 5% historicamente.
O anúncio do presidente congolês insere-se numa tendência mais ampla no continente. Vários países africanos já implementaram políticas de flexibilização ou supressão de vistos para cidadãos africanos, entre os quais Ruanda, Seychelles, Benim, Gana e, mais recentemente, o Togo.
Charlène N’dimon
A Tanzânia multiplica as iniciativas para acelerar a modernização das suas infraestruturas. As autoridades consideram a expansão das estradas asfaltadas como uma alavanca essencial para melhorar a conectividade interna, reduzir os custos logísticos e apoiar as ambições económicas do país.
O governo tanzaniano prevê lançar importantes projetos de construção rodoviária durante o exercício orçamental de 2026/27, com financiamento baseado, nomeadamente, na emissão de obrigações para infraestruturas. Apresentada ao Parlamento pelo ministro das Obras Públicas, Abdallah Ulega, esta iniciativa insere-se numa estratégia que visa diversificar as fontes de financiamento, de modo a responder à crescente procura por infraestruturas de transporte.
Segundo as autoridades, foi atribuída uma verba de 2 400 mil milhões de xelins tanzanianos (cerca de 918 milhões de dólares americanos) às despesas de desenvolvimento, sendo uma parte significativa destinada a projetos rodoviários. O governo pretende assim melhorar a mobilidade urbana, facilitar o escoamento das produções agrícolas para os mercados e o acesso aos serviços sociais, e apoiar de forma mais ampla o crescimento económico.
De acordo com dados oficiais, a Tanzânia dispõe de uma rede rodoviária de 37 734,41 km, dos quais apenas cerca de um terço, ou seja 12 225,26 km, é asfaltado. Os novos investimentos visam acelerar a modernização e a expansão das infraestruturas, de forma a melhorar a conectividade entre as diferentes regiões do país. Esta política insere-se num plano mais amplo de reestruturação do sistema nacional de transportes para um modelo multimodal.
As infraestruturas rodoviárias deverão assim complementar as redes ferroviárias atualmente em desenvolvimento, de modo a constituir um sistema integrado que ligue as regiões interiores, bem como o hinterland internacional do Porto de Dar es Salaam, que serve vários países sem acesso ao mar na África Oriental e Austral. Através desta dinâmica, a Tanzânia procura consolidar a sua posição como plataforma logística e portuária de referência na região, num contexto de concorrência crescente entre os corredores de transporte da África Oriental.
Persistem, contudo, vários desafios. O recurso a obrigações de infraestruturas exige uma forte capacidade de mobilização de investidores, bem como uma gestão rigorosa da dívida pública. Acrescem ainda os desafios relacionados com os custos de manutenção das estradas, os prazos de execução das obras e a coordenação com os projetos ferroviários, de modo a garantir a eficiência da futura rede multimodal.
Henoc Dossa
O SEMPA/BMOD apresentou as principais reformas implementadas nos últimos anos. A digitalização das contratações, a profissionalização dos estivadores, a melhoria do clima social e os investimentos na formação estão entre os principais eixos destacados pela direção.
Durante uma conferência de imprensa realizada na quinta-feira, 21 de maio, na sua sede em Vridi, em Abidjan, o Sindicato das Empresas de Manuseamento dos Portos Autónomos de Abidjan e de San Pedro (SEMPA/BMOD), organismo responsável pela gestão da mão de obra dos estivadores, apresentou o balanço das transformações realizadas nos últimos cinco anos.
Perante os meios de comunicação, o secretário-geral Alexis N’Guessan Zoukou recordou o papel estratégico da instituição na atividade portuária nacional, sublinhando que cerca de 60% do comércio externo da Costa do Marfim passa pelos portos.
“Somos uma organização que garante que os 8 500 homens e mulheres que trabalham nos portos sejam qualificados, protegidos e disponíveis 24 horas por dia”, declarou.
Transição digital para modernizar as contratações
Uma das principais reformas destacadas diz respeito à digitalização do sistema de contratação dos estivadores. Até 2023, os recrutamentos diários eram feitos manualmente.
“Desde a criação do SEMPA em 1959, as contratações eram feitas de forma oral e presencial. Com a implementação do novo sistema informático, iniciámos uma verdadeira revolução digital”, explicou Alexis N’Guessan Zoukou.
Segundo ele, os trabalhadores recebem agora as suas atribuições por SMS através de uma plataforma digital dedicada. Dispositivos eletrónicos de registo instalados nos diferentes terminais portuários permitem também gerir automaticamente as presenças e o processamento dos salários.
O responsável do SEMPA/BMOD considera que esta modernização contribui para melhorar a transparência das contratações, reforçar a equidade entre os trabalhadores e assegurar uma melhor rastreabilidade das carreiras. A organização indica processar diariamente cerca de 6 500 operações de contratação nos terminais portuários.
A instituição destacou também os progressos na profissionalização da atividade de estivador desde o decreto de 2019, que introduziu novas categorias de trabalhadores e abriu caminho à generalização dos contratos sem termo (CDI). Foi igualmente realizado um recenseamento completo dos estivadores para harmonizar os dados com os da Caixa Nacional de Previdência Social.
Mais de mil milhões de FCFA investidos na formação
Num contexto de concorrência crescente entre os portos da Costa do Marfim e os da sub-região, a organização afirma ter intensificado os investimentos no capital humano. Mais de mil milhões de francos CFA (1,7 milhões de dólares) terão sido investidos nos últimos anos na formação dos estivadores e do pessoal de supervisão.
O SEMPA/BMOD cita nomeadamente formações em segurança no trabalho, gestão, ética profissional e manuseamento especializado, realizadas em parceria com o Fundo de Desenvolvimento da Formação Profissional.
“O comércio marítimo está a evoluir rapidamente com as novas tecnologias. Temos de preparar os estivadores marfinenses para responder aos padrões internacionais”, concluiu Alexis N’Guessan Zoukou.
Criado em 1959, o SEMPA/BMOD reúne 45 empresas de manuseamento que operam nos portos autónomos de Abidjan e de San Pedro. A instituição assegura nomeadamente o recrutamento, a gestão administrativa, o pagamento e a formação dos estivadores.
Charlène N’dimon
Impulsionada pelo crescimento da bauxite, a região de Boké ambiciona agora tornar-se um hub logístico e industrial estratégico na África Ocidental. A Guiné acelera os seus projetos de infraestruturas para acompanhar a valorização dos recursos minerais locais.
Na Guiné, os primeiros resultados dos estudos de viabilidade do projeto de porto de águas profundas de Dobali, no noroeste, foram apresentados ao Ministério dos Transportes. Conduzidos pela Infraports Invest, estes trabalhos deverão fornecer às autoridades os dados técnicos, económicos e operacionais necessários para a continuidade deste projeto estratégico, destinado a modernizar os setores portuário e mineiro, ao mesmo tempo que reforça a integração económica regional.
“Apresentámos os estudos de viabilidade, os estudos batimétricos, bem como os primeiros estudos económicos realizados, que permitirão ao governo tomar decisões importantes sobre a continuação do projeto”, indicou Mamady Kaba, diretor da Infraports Invest Guiné, acrescentando que todo o componente económico será entregue às autoridades até ao final de junho, de forma a avaliar com precisão o montante global do investimento.
Iniciado há vários anos, o projeto do porto de águas profundas de Dobali visa reforçar as cadeias logísticas dedicadas à exportação de bauxite na região de Boké, que concentra uma parte significativa dos recursos minerais do país. Segundo as autoridades, a infraestrutura não se limitará, no entanto, às atividades mineiras. Deverá também tratar outras categorias de mercadorias e integrar várias funções logísticas, com o objetivo de desenvolver um ecossistema integrado em torno da economia azul.
Classificado entre os projetos estruturantes do programa Simandou 2040, o porto de Dobali é também apresentado como uma infraestrutura de vocação regional. As autoridades estimam que poderá beneficiar vários países vizinhos, nomeadamente o Mali, a Gâmbia, a Guiné-Bissau e o Senegal. O projeto insere-se numa dinâmica mais ampla de transformação do modelo económico guineense, historicamente centrado na exportação de matérias-primas em bruto.
Este projeto vem complementar várias infraestruturas de transporte em desenvolvimento, incluindo linhas ferroviárias destinadas a melhorar o escoamento dos minérios e a apoiar a industrialização do setor mineiro. Nesta perspetiva, a construção de uma refinaria de alumínio foi lançada no final de 2025, na mesma zona do futuro porto.
A concretização do projeto poderá, no entanto, enfrentar vários desafios, incluindo a mobilização dos financiamentos necessários e as questões ambientais associadas às atividades portuárias e mineiras na região de Boké. Soma-se ainda a necessidade de garantir a viabilidade económica do complexo logístico e a sua integração efetiva nos corredores comerciais regionais.
Henoc Dossa
Dependente das importações de veículos usados, Angola tenta reposicionar a sua indústria automóvel como uma alavanca de diversificação económica e de redução da sua fatura externa.
Em Angola, os primeiros veículos montados localmente poderão chegar ao mercado já este ano, segundo o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D'Abreu. Este passo é apresentado como crucial no processo de relançamento da indústria automóvel nacional, com o objetivo de criar uma cadeia de valor integrada.
Os veículos serão montados na fábrica do grupo privado OPAIA, inaugurada em janeiro na Zona Económica Especial (ZEE) da província de Icolo e Bengo. O complexo industrial, que representou um investimento de 150 milhões de USD, inclui uma linha de montagem de veículos ligeiros e pesados.
A unidade prevê uma produção anual de 22.000 veículos, incluindo automóveis de passageiros e veículos utilitários, bem como 1.000 autocarros destinados ao transporte público. Numa primeira fase, funcionará segundo um modelo de montagem de kits importados da China para os veículos, enquanto os autocarros da marca Volvo virão da Suécia.
As autoridades angolanas apresentam, no entanto, esta etapa como o ponto de partida de um processo progressivo de integração local, visando desenvolver, a prazo, uma indústria automóvel mais estruturada e capaz de gerar efeitos industriais e tecnológicos.
Há mais de uma década, o mercado automóvel angolano é amplamente dominado pela importação de veículos usados, em detrimento do segmento de carros novos. Em 2023, o país gastou cerca de 484 milhões de euros (aproximadamente 563 milhões de USD) na importação de veículos, incluindo 372 milhões de euros em automóveis e 112 milhões de euros em autocarros, excluindo peças sobressalentes.
Com a relançamento da sua indústria automóvel, Luanda espera reduzir progressivamente a dependência das importações e estimular a produção local, em linha com as políticas gerais de diversificação de uma economia maioritariamente dependente das receitas do petróleo.
O projeto terá, no entanto, de enfrentar vários desafios para garantir a sua viabilidade a longo prazo. Entre eles estão o desenvolvimento de uma rede local de subcontratantes, a melhoria do acesso ao financiamento para os compradores, bem como a capacidade de oferecer veículos competitivos face às importações de automóveis usados, frequentemente mais baratos no mercado angolano.
Henoc Dossa
No Nigéria, a transição para soluções de transporte menos dependentes da gasolina ainda enfrenta constrangimentos de custos e de infraestruturas. As autoridades estão agora a apostar numa maior participação do setor financeiro para apoiar esta mudança.
O governo federal nigeriano e o Lotus Bank assinaram um acordo para acelerar a implementação do programa de mobilidade limpa « Presidential Initiative on CNG & EV ». Esta iniciativa visa promover o uso de veículos movidos a gás natural comprimido (GNC), bem como de veículos elétricos.
No âmbito desta parceria, o banco prevê disponibilizar soluções de financiamento que cobrem toda a cadeia de valor do GNC. Os apoios incluem a aquisição de ativos de mobilidade limpa, a conversão de frotas automóveis, bem como o financiamento de infraestruturas destinadas a empresas e atores institucionais.
Lançada em 2023 na sequência da eliminação dos subsídios aos combustíveis, a Presidential Initiative on CNG & EV tem como objetivo reduzir a dependência do país dos combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que apoia políticas públicas de redução da pegada de carbono. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, já terá permitido mais de 250 000 conversões de veículos a nível nacional. O número de centros de conversão passou de 7 para mais de 350 unidades, enquanto mais de 2 mil milhões de dólares em investimentos privados terão sido mobilizados junto de atores do setor.
Estes avanços continuam, contudo, aquém dos objetivos iniciais do programa, que previa a entrada em funcionamento de 500 centros de conversão e mais de 150 estações de abastecimento até ao final de 2025. Em paralelo, as autoridades ambicionam atingir mais de 1 milhão de veículos convertidos para GNC até 2027. Segundo vários analistas, o atraso explica-se sobretudo pelo elevado custo das conversões, estimado entre 900 000 e 1,6 milhões de nairas (entre 655 e 1 165 dólares), bem como pelo aumento do preço do GNC.
Henoc Dossa
Ao contrário dos seus principais concorrentes, a Yango Group não dispõe dos seus próprios automóveis nem dos seus próprios motoristas. A empresa estabelece parcerias com empresas de transporte locais, o que lhe permite não subsidiar diretamente os motoristas nem os consumidores.
A plataforma de VTC Yango Group prevê investir pelo menos 150 milhões de dólares para se estabelecer em mais dez países africanos em 2026, no âmbito da sua estratégia de expansão no continente.
O diretor-geral da Yango Group para a África, Adeniyi Adebayo, esclareceu que a empresa se concentrará nas cidades africanas de média dimensão, ao contrário dos seus concorrentes, que priorizam as grandes economias africanas e as suas metrópoles em forte expansão.
« Quando se vai para África, normalmente vai-se aos quatro principais países: Nigéria, Egito, África do Sul e Quénia. Isso provoca um grande fluxo de capitais a perseguir o mesmo objetivo nesses mercados, o que conduz a uma corrida para o fundo », explicou, citado pela Bloomberg.
Um modelo baseado em operadores locais e uma expansão direcionada
Já presente em mais de uma dezena de mercados africanos, incluindo a Costa do Marfim, o Gana, o Senegal, o Camarões, a Zâmbia e a Angola, a Yango Group continua a sua expansão apoiando-se em operadores de transporte e de gestão de frotas locais. O seu modelo baseia-se na ligação entre passageiros e condutores afiliados a esses operadores através da sua plataforma, que atua como intermediário tecnológico.
« Não trabalhamos diretamente com nenhum motorista em nenhum dos nossos mercados. Trabalhamos com operadores de transporte. Esta abordagem reduz a necessidade de subsídios diretos, o que permite que a expansão seja mais impulsionada pela implementação operacional », afirmou Adebayo.
Segundo ele, a nova fase de desenvolvimento da Yango Group deverá visar sobretudo a África Ocidental e a África Central, embora a aplicação originalmente desenvolvida pelo gigante tecnológico russo Yandex também esteja a interessar-se por mercados mais pequenos no sul do continente, como a Namíbia, o Botsuana e Moçambique.
Com sede em Dubai, a Yango Group opera em 35 países na Europa, África, Médio Oriente e América do Sul.
Walid Kéfi
Perante a crescente saturação dos seus portos marítimos, o Egito acelera o desenvolvimento de infraestruturas logísticas interiores. O país multiplica os investimentos para fluidificar as trocas comerciais e reforçar o seu posicionamento regional no mercado do transporte de mercadorias.
O ministro egípcio dos Transportes assinou um protocolo de acordo com a empresa Sky Ports para o financiamento, conceção, construção, exploração e manutenção do porto seco e da zona logística de Borg El Arab, no norte do país. O objetivo é apoiar o desenvolvimento desta zona industrial através da melhoria dos serviços logísticos, reduzindo assim a congestão dos portos marítimos.
Segundo as autoridades, as novas infraestruturas deverão também contribuir para reduzir os custos do transporte de mercadorias, bem como o tempo das operações de inspeção e desalfandegamento. O local escolhido para o porto seco e o centro logístico cobre uma área de 54 hectares.
Esta iniciativa integra-se numa estratégia destinada a transformar o Egito num hub regional de logística e comércio de trânsito. O programa prevê, nomeadamente, a criação de 33 portos secos e zonas logísticas, bem como o desenvolvimento de 7 corredores logísticos integrados. Estes corredores deverão ligar as zonas de produção industrial, agrícola e mineira aos portos marítimos, além de conectar os portos do Mar Vermelho aos do Mediterrâneo. Serão apoiados por uma rede ferroviária modernizada, incluindo linhas de alta velocidade a diesel e elétricas, bem como pela principal rede rodoviária do país.
Além de Borg El Arab, estão previstos mais 7 portos secos no âmbito deste programa lançado há vários anos. Infraestruturas semelhantes deverão ser desenvolvidas em 10th of Ramadan City, 6th of October City, New Damietta, New Beni Suef, New Sohag, Sadat City e El Tor.
Henoc Dossa
Num contexto de concorrência crescente entre plataformas marítimas africanas, os grandes operadores portuários aceleram os seus investimentos na fachada atlântica. Pointe-Noire pretende posicionar-se como um elo estratégico das trocas comerciais na África Central.
O grupo emiradense AD Ports atribuiu três contratos no âmbito do projeto do terminal de contentores no porto de Pointe-Noire. Estes contratos abrangem a conceção e construção das infraestruturas marítimas e terrestres, bem como o fornecimento de equipamentos de movimentação destinados à exploração do terminal. Destinado a reforçar as capacidades portuárias da República do Congo, o projeto é desenvolvido no quadro de uma joint venture maioritariamente detida pelo AD Ports Group e pelo grupo CMA CGM, através da sua filial CMA Terminals, na sequência de um acordo concluído entre os dois parceiros em fevereiro de 2025.
Em detalhe, os contratos atribuídos incluem dois mercados relativos às obras marítimas e às infraestruturas terrestres, com um valor global de cerca de 551 milhões de dirhams dos Emirados (aproximadamente 150 milhões de dólares), adjudicados à MAR Contracting SARLU e à MBTP SA JV. Um terceiro contrato, avaliado em 184 milhões de dirhams, foi atribuído ao grupo chinês Shanghai Zhenhua Heavy Industries Co. Ltd. (ZPMC) para o fornecimento de 3 gruas navio-terra (STS) e 9 gruas pórtico sobre pneus (RTG).
O futuro terminal de contentores contará, numa primeira fase, com um cais de cerca de 420 metros de comprimento e um calado de 16 metros, permitindo a receção de navios de grande capacidade. Incluirá igualmente uma zona logística de 100.000 m² destinada ao armazenamento e às operações de trânsito. Segundo Mohamed Eidha AlMenhali, diretor-geral regional do AD Ports Group, esta infraestrutura deverá contribuir para aumentar a capacidade do porto de Pointe-Noire, ao mesmo tempo que gera impactos económicos locais, nomeadamente através da criação de empregos e de novas linhas marítimas internacionais.
O projeto integra-se numa estratégia mais ampla de modernização e expansão das capacidades do porto, que procura reforçar a sua competitividade face a outras plataformas sub-regionais, nomeadamente Douala e Kribi, nos Camarões, ou ainda Luanda, em Angola. Pointe-Noire ambiciona consolidar o seu papel de hub logístico para os fluxos de trânsito destinados à República Centro-Africana, ao Chade e à República Democrática do Congo.
O desenvolvimento do terminal poderá, contudo, enfrentar vários desafios, nomeadamente a necessidade de melhorar as ligações ferroviárias e rodoviárias ao hinterland, a fluidez dos procedimentos aduaneiros, bem como a capacidade do porto em manter custos competitivos face às infraestruturas concorrentes da fachada atlântica africana. O reforço dos portos vizinhos, já envolvidos em programas de expansão semelhantes, poderá igualmente intensificar a concorrência pelo tráfego regional de trânsito.
Henoc Dossa
L’Égypte, que ambiciona tornar-se um ator importante da indústria automóvel na região do Médio Oriente e África do Norte, oferece várias isenções fiscais, incentivos financeiros e facilidades fundiárias aos fabricantes de componentes e construtores automóveis estrangeiros.
A Aeolus Tyre, um dos principais fabricantes chineses de pneus para veículos pesados, anunciou num comunicado publicado no site da Bolsa de Xangai que prevê construir uma fábrica no Egito, com um investimento de cerca de 2,7 mil milhões de yuans (aproximadamente 396,5 milhões de dólares). A unidade industrial, que deverá ser instalada na cidade portuária de Alexandria, no norte do país, terá uma capacidade anual de produção de 1,5 milhões de pneus para camiões e autocarros, bem como 30 mil pneus para veículos de engenharia e equipamentos agrícolas.
A construção da fábrica, prevista para decorrer ao longo de 20 meses, será realizada no âmbito de uma parceria com outros investidores chineses. A Aeolus Tyre planeia criar uma subsidiária baseada na província chinesa de Hainan, que deterá 98,9% da joint-venture egípcia responsável pela construção e exploração da futura fábrica. A Prometeon Tyre Egypt e a China National Rubber International, seus parceiros, deterão o restante capital.
Parte do terreno virá de parcelas não utilizadas de um complexo industrial pertencente à Prometeon Tyre Egypt, sendo o restante adquirido junto de proprietários locais. A Aeolus Tyre prevê ainda atrair novos investidores para a estrutura acionista da sua subsidiária em Hainan, pelo que a sua participação final no projeto ainda não está totalmente definida.
A Prometeon Tyre Egypt é uma filial do Prometeon Tyre Group, empresa resultante da cisão da divisão de pneus industriais da Pirelli em 2018 e controlada desde 2022 pela China National Tire and Rubber, que também é acionista maioritária da Aeolus Tyre. A empresa sublinhou que uma base de produção no Egito permitirá otimizar a sua capacidade global, reforçar sinergias comerciais com a Prometeon e aumentar a sua competitividade internacional.
A empresa cotada registou um volume de negócios de exportação de 3,4 mil milhões de yuans em 2025, representando 47% das suas receitas totais. Os seus produtos são exportados para mais de 100 países.
Vários fornecedores do setor automóvel, como a Yazaki e o grupo Sailun, bem como fabricantes como a General Motors, Toyota e Stellantis, já estão presentes no país. O Egito aposta em incentivos fiscais e financeiros para desenvolver uma cadeia de valor local competitiva e tornar-se um ator central da indústria automóvel no continente africano.
Walid Kéfi
Há muito concentrada em torno de Abidjan e dos principais corredores económicos, a modernização da rede rodoviária da Costa do Marfim é agora chamada a apoiar ambições mais amplas de competitividade logística, integração sub-regional e transformação urbana.
Dotado de uma rede rodoviária com mais de 82 000 km, o país tem realizado nos últimos anos investimentos significativos para reforçar a sua densidade, com estradas asfaltadas que atingem atualmente cerca de 9 200 km, incluindo quase 400 km de autoestradas, segundo os dados mais recentes do governo. Até 2021, a extensão de estradas asfaltadas era de 7 499 km, segundo a AGEROUTE, entidade estatal responsável pela exploração, monitorização e manutenção da rede, enquanto as estradas em terra, divididas em classes A, B, C e D, representavam cerca de 74 500 km.
Desde 2013, os programas de modernização permitiram acrescentar vários milhares de quilómetros à rede asfaltada, que totalizava então 6 514 km. Esta dinâmica foi acompanhada pela construção de importantes obras de engenharia, entre as quais as 3.ª e 4.ª pontes de Abidjan, realizadas no âmbito do Projeto de Transporte Urbano de Abidjan (PTUA). O programa inclui ainda a construção de seis nós rodoviários e 88 km de autoestradas, com o objetivo de melhorar a fluidez do tráfego no Grande Abidjan, que deverá também acolher em breve as suas primeiras linhas de metro e de Bus Rapid Transit (BRT).
Uma rede ainda confrontada com o envelhecimento
Apesar destes progressos, a densidade da rede asfaltada continua relativamente baixa, tendo em conta a dimensão do território e as necessidades de mobilidade. Uma parte significativa das infraestruturas tem entre 15 e 35 anos. Segundo a AGEROUTE, vários troços já ultrapassaram o limite de degradação tolerável, geralmente estimado em mais de 20 anos, exigindo obras de reabilitação ou reforço.
A autoridade rodoviária atribui estas degradações ao envelhecimento dos pavimentos, mas também à sobrecarga dos veículos pesados, que acelera o desgaste das infraestruturas. A falta de manutenção periódica agrava igualmente o problema, conduzindo em alguns casos à deterioração parcial ou total das vias.
Perante este cenário, o desenvolvimento das infraestruturas constitui uma das prioridades do pilar 5 do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2026-2030, dedicado ao reforço das infraestruturas estratégicas e dos polos económicos regionais. As ações previstas incluem a continuidade dos projetos do PND 2021-2025, a reabilitação e asfaltagem da rede urbana do Grande Abidjan, estudos para novas infraestruturas rodoviárias e autoestradas, bem como a construção de obras de arte e o desenvolvimento de estradas comunitárias da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).
A implementação desta estratégia poderá, no entanto, enfrentar vários desafios, nomeadamente as elevadas necessidades de financiamento, os custos de manutenção da rede existente, a pressão do transporte de mercadorias, os efeitos crescentes das alterações climáticas sobre as infraestruturas e os desafios de segurança rodoviária ligados ao controlo das sobrecargas.
Henoc Dossa
Com cerca de 750 000 km, o país mais industrializado de África possui uma das redes rodoviárias mais densas do continente. No entanto, o mau estado de muitas estradas provinciais e rurais agrava as restrições logísticas enfrentadas pelos operadores económicos.
O governo sul-africano alocou cerca de 31 mil milhões de rands (aproximadamente 1,864 mil milhões de dólares) para a reabilitação, modernização, expansão e manutenção da rede rodoviária nacional durante o exercício orçamental de 2026/2027 (1 de abril a 31 de março). Esta verba, que será disponibilizada à Agência Nacional de Estradas da África do Sul (South African National Roads Agency / SANRAL), foi anunciada na terça-feira, 12 de maio, pela ministra dos Transportes, Barbara Creecy, durante a apresentação do orçamento do seu ministério no Parlamento.
A ministra sublinhou que os fundos serão usados para financiar despesas de investimento na rede rodoviária não paga, incluindo o projeto de modernização da autoestrada de Gauteng (Norte), a construção de grandes pontes ao longo da estrada N2 na Wild Coast (Sudeste), bem como a construção de novos troços em autoestradas nacionais e o desenvolvimento do corredor rodoviário de Moloto, um eixo estratégico que liga a cidade de Moloto (província de Mpumalanga) a Pretória (província de Gauteng).
Estes projetos deverão melhorar a segurança rodoviária, reduzir as distâncias de viagem e criar mais de 35 000 empregos, além de apoiar as atividades de mais de 2 000 pequenas empresas.
Reduzir os constrangimentos logísticos
A ministra expressou também preocupação com as dificuldades persistentes a nível provincial e municipal, onde os meios financeiros e as capacidades técnicas para manutenção de estradas continuam frequentemente insuficientes.
«Desde 2013, os governos provinciais transferiram 13 000 quilómetros de estradas provinciais para a SANRAL para gestão e manutenção. Isto não é uma estratégia sustentável a longo prazo e acabará por afetar a capacidade da SANRAL de manter a rede rodoviária nacional sem a introdução de um sistema generalizado de portagens.»
A África do Sul possui uma das redes rodoviárias mais densas e desenvolvidas de África, com cerca de 750 000 km de estradas. Se as principais autoestradas estão em boas condições, muitas vias provinciais e rurais encontram-se degradadas, aumentando os custos de transporte, reduzindo a produtividade e limitando oportunidades para empresas e famílias.
A nova alocação orçamental insere-se numa estratégia nacional mais ampla de investimento no setor dos transportes, visando reduzir os estrangulamentos logísticos frequentemente apontados por empresas mineiras e industriais. Estes constrangimentos estão entre os principais fatores que explicam o crescimento económico inferior a 1% registado pelo país mais industrializado do continente na última década.
Para recordar, o Banco Mundial aprovou no início de março um novo mecanismo de garantia de crédito (Credit Guarantee Vehicle/CGV) destinado a ajudar a África do Sul a mobilizar 10 mil milhões de dólares em capital privado para investimentos em transportes, transmissão de eletricidade, água e infraestruturas sociais.
Walid Kéfi
Há muito confrontado com problemas de degradação e fiabilidade, o Transgabonais volta a estar no centro das prioridades de investimento do Gabão. As autoridades apostam na sua modernização para apoiar as ambições mineiras e logísticas do país.
À margem da cimeira Africa Forward, organizada em Nairobi, no Quénia, foi assinado um protocolo de entendimento (MoU) que prevê um financiamento de 225 milhões de euros (cerca de 261,6 milhões de dólares) para a fase III do programa de renovação dos 648 km da linha ferroviária do Transgabonais.
Estruturado com o apoio da Sociedade Financeira Internacional, o financiamento mobiliza vários instrumentos de financiamento do desenvolvimento. Para além do apoio direto à SETRAG, empresa responsável pela exploração do Transgabonais, o pacote financeiro assenta numa abordagem coordenada da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), combinando um empréstimo soberano ao Estado gabonês e uma subvenção da União Europeia através da iniciativa Global Gateway.
O investimento visa travar a degradação progressiva desta infraestrutura estratégica, cujo envelhecimento tem contribuído para a queda do desempenho logístico do país. A situação afeta sobretudo a exportação de recursos como o manganês e a madeira, além de impor limitações à mobilidade dos passageiros, com níveis de segurança e conforto frequentemente considerados insuficientes.
Embora cerca de 400 km de via já tenham sido renovados, os novos financiamentos deverão permitir reforçar o escoamento do manganês, um minério estratégico para a transição energética mundial, no qual o Gabão é um dos principais produtores. Segundo o grupo Eramet, as autoridades gabonesas pretendem elevar o volume anual de carga para 21 milhões de toneladas até 2029, contra cerca de 9 milhões atualmente.
Para além do setor mineiro, a modernização do Transgabonais deverá também melhorar a fluidez do transporte de mercadorias e reforçar a fiabilidade do transporte de passageiros ao longo deste eixo considerado essencial para a economia nacional.
Henoc Dossa
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