Há mais de uma década que a procura de arroz regista um forte aumento nos países do espaço CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental). O aumento sustentável da produção continua a ser um verdadeiro quebra-cabeças.
Para que a África Ocidental deixe de ser uma região importadora líquida de arroz e se torne autossuficiente neste cereal, não haverá solução mágica: será necessário passar à escala. É, em essência, o que afirmou à Agência Ecofin Chakib Jenane, Diretor do departamento Planeta do Banco Mundial para a África Ocidental e Central, à margem da mesa-redonda de investimento no setor do arroz realizada de 2 a 3 de junho de 2026.
Numa região onde a produção ainda assenta maioritariamente em pequenos agricultores dependentes das condições climáticas, o responsável apela a uma mudança de paradigma. «A África Ocidental dispõe de enormes recursos agrícolas. O desafio não é a sua inexistência, mas sim a sua subexploração. Para avançar, já não basta dar pequenos passos. É necessário estruturar as explorações, agrupar os produtores em áreas mais vastas e mecanizáveis, e facilitar o acesso ao crédito», explica.
Segundo ele, tal mudança inscreve-se numa abordagem sistémica promovida pela iniciativa “Agriconnect” da instituição financeira, que visa, entre outros objetivos, reforçar toda a cadeia de valor do arroz na África Ocidental.
«O objetivo é construir um ecossistema eficiente em torno do arroz. Em países como o Senegal, o Mali ou a Nigéria, os rendimentos por hectare já são comparáveis aos observados na Ásia. Mas produzir mais não chega: é também necessário melhorar o armazenamento, a transformação e a comercialização. No final, para ter sucesso, toda a cadeia de valor do arroz na África Ocidental deve ser competitiva face às importações», precisa.
«Não podemos deixar as populações expostas de forma duradoura às flutuações dos mercados mundiais»
Para além das questões económicas, esta mobilização responde igualmente a imperativos sociais e alimentares. O arroz representa cerca de 40% do consumo de cereais na África Ocidental, o que faz dele uma fileira estratégica, embora particularmente vulnerável a choques externos.
«Não podemos deixar as populações expostas de forma duradoura às flutuações dos mercados mundiais. As crises sucessivas — pandemia de Covid-19, guerra na Ucrânia, perturbações das rotas marítimas — desorganizaram as cadeias de abastecimento e aumentaram o custo dos fatores de produção, nomeadamente os fertilizantes», afirma Chakib Jenane, sublinhando depois o reforço do compromisso financeiro do Banco Mundial na sub-região.
«Para a Nigéria, aprovámos recentemente um programa de 500 milhões de dólares dedicado às cadeias de valor agrícolas e aos pequenos produtores, em particular no arroz. No Togo, foi concedido um financiamento de 300 milhões de dólares para apoiar a modernização do setor agrícola. E estamos atualmente a trabalhar em novos projetos na Guiné, no Senegal, na Côte d’Ivoire e noutros países».
Para recordar, à escala mundial, a instituição investe cerca de 4,5 mil milhões de dólares por ano na agricultura. A ambição é elevar este montante para 9 mil milhões de dólares no âmbito do programa AgriConnect, de forma a acelerar a transformação dos sistemas agrícolas, aumentar a criação de empregos para os jovens e reforçar a segurança alimentar.
Espoir Olodo, de Acra













Dakar, Senegal