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Agroindústria: o singapurense Wilmar e o nigeriano TGI unem-se numa joint-venture

Agroindústria: o singapurense Wilmar e o nigeriano TGI unem-se numa joint-venture
Quinta-feira, 4 de Junho de 2026

Na África Ocidental, a maioria dos países continua a ser importadora líquida de produtos alimentares. O reforço das capacidades locais de transformação abre, contudo, perspetivas aos operadores económicos, que podem substituir parte das importações e conquistar novas quotas de mercado.

O grupo singapurense Wilmar International Limited celebrou um acordo com o conglomerado nigeriano Tropical General Investments Group (TGI) para criar uma joint-venture destinada a agregar as suas atividades agroalimentares na Nigéria e na República do Benim.

A operação visa construir uma plataforma integrada que abranja toda a cadeia de valor agroalimentar, desde a produção agrícola até à distribuição de produtos alimentares, passando pela transformação. Segundo um comunicado conjunto publicado na terça-feira, 2 de junho, as duas empresas estimam que este projeto lhes permitirá capturar um mercado potencial superior a 12 mil milhões de dólares na Nigéria e no Benim.

Rumo ao nascimento de um novo gigante do agroalimentar?

Está previsto que as atividades agrupadas pela joint-venture sejam detidas por uma holding sediada em Singapura, controlada em partes iguais pela Wilmar e pelo Grupo TGI. Na Nigéria, os ativos do grupo singapurense concentram-se sobretudo na sua filial local PZ Wilmar, cujas atividades incluem a exploração de mais de 26 500 hectares de plantações de palmeiras e uma refinaria integrada de óleo de palma com capacidade de produção de 1 000 toneladas por dia, para a produção de óleo de palma e margarina comercializados sob as marcas «Mamador» e «Devon King’s».

Por seu lado, o TGI dispõe de um portefólio industrial e comercial mais diversificado, estruturado em várias filiais, incluindo a CHI Limited (bebidas e produtos lácteos), WACOT Rice (arroz) e Golden Terra Oil (óleos alimentares), bem como outras atividades de transformação agroalimentar e distribuição. No Benim, o grupo nigeriano está presente na produção e comercialização de óleo alimentar através da sua filial Fludor Benin SA.

«Esta parceria visa reunir empresas sólidas para construir uma plataforma de crescimento a longo prazo, capaz de evoluir ao ritmo das necessidades dos consumidores e dos mercados africanos. Ao combinar a experiência global da Wilmar no setor agroalimentar com as capacidades de execução local do Grupo TGI, as suas marcas fortes e a sua vasta rede comercial, lançamos as bases de uma empresa capaz de crescer de forma sustentável, reforçar as cadeias de valor regionais e criar valor no continente nas próximas décadas», declarou Rahul Savara, cofundador e diretor executivo do TGI.

A Nigéria e o Benim no centro da estratégia

Com mais de 240 milhões de habitantes, a Nigéria representa o maior mercado de consumo do continente africano. Embora, em comparação, o mercado beninense seja bastante mais pequeno (cerca de 15 milhões de habitantes), continua a ser relevante. Além disso, o Benim desempenha um papel estratégico como plataforma logística e comercial na África Ocidental, funcionando como corredor de trânsito para a Nigéria e para os países sem litoral do Sahel (Níger, Burkina Faso, Mali).

Além disso, os défices de produção e transformação alimentar continuam elevados nestes países, o que mantém uma forte dependência das importações. Segundo a UNCTAD, a Nigéria importou em média cerca de 5,59 mil milhões de dólares em produtos alimentares por ano entre 2021 e 2023. No mesmo período, as importações alimentares do Benim atingiram cerca de 1,5 mil milhões de dólares por ano.

Ao combinar as suas capacidades industriais, a Wilmar e o TGI podem reforçar a produção local através de uma plataforma integrada e contribuir para a substituição de parte das importações.

No entanto, a criação da joint-venture está ainda sujeita à aprovação das autoridades da concorrência e às condições regulamentares habituais. A sua finalização está prevista até 31 de dezembro de 2026. Se concretizada, esta aliança poderá reforçar a industrialização agroalimentar na África Ocidental e dar origem a um novo gigante do agronegócio.

Stéphanas Assocle

 

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